Sonho Febril

Desde que o mundo é mundo os sonhos tem papel crucial nas nossas vidas, afinal, eles são capazes de nos mover, fazem com que avancemos. Muitos, inclusive, são capazes de quase tudo para torná-los realidade. E com Abner Marsh, um conhecido e respeitado capitão de barcos a vapor, quando esses dominavam os grandiosos rios dos EUA no século XIX, não foi diferente ao deparar-se com a proposta irrecusável de construir o maior e mais veloz barco que o Rio Mississipi já vira.

A sociedade era proposta por um aristocrata excêntrico chamado Joshua York, que entraria com o capital, enquanto Abner teria a experiência e os conhecimentos que só um homem do rio é capaz de possuir. A única coisa que aquele homem extremamente pálido e de olhos cinzas e intensos exigia era que seus ~ estranhos ~ hábitos fossem respeitados. Um deles? Não sair à luz do dia.

Diante das intempéries climáticas que terminaram por arrasar sua frota, Abner ficara desconfiado com o interesse de Joshua pela sua Companhia, afinal, estava praticamente falido, mas como recusar uma oportunidade daquelas? E assim, o Fevre Dream tornou-se real.

Contudo, com o passar das semanas, ficou claro que os planos de Joshua para o magnífico e luxuoso barco nem sempre seriam os mesmos de Abner, cuja desconfiança e desconforto pelos estranhos hábitos noturnos de seu sócio e amigos crescia junto com o avançar pelo rio. Joshua exigia paradas nada estratégicas, atrasando o Fevre Dream, cujo nome começava a circular pelos portos, mas ao contrário do que Abner sonhara, não era devido à sua rapidez e elegância, mas sim em razão dos boatos crescentes sobre seu sombrio parceiro.

Logo, mortes também começaram a acompanhar o trajeto do vapor e confrontar Joshua tornou-se a única opção de Abner, que acima de tudo prezava a sinceridade e a fidelidade, valores que seriam testados quando ele enfrentasse a inacreditável verdade, Joshua era um vampiro.

Contudo, não vá esperando mais do mesmo com relação aos vampiros, pois Tio George criou uma versão bem original do clássico, com regras próprias e muitas, inclusive, diferentes do que estamos acostumados. O autor também caprichou nas descrições, criando uma atmosfera enfumaçada e sombria ao passo que história caminhava mais e mais na escuridão da noite e do rio, além da construção dos personagens, na qual trabalha, algo que ele faz maravilhosamente bem, a dualidade presente nas pessoas e nesse caso, nos vampiros também.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro.

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Bienal 2013, eu fui!

Dia 07 de setembro, dia da independência e de visitar a Bienal, que este ano realiza sua 30ª edição. Para os aficionados por livros e leitura esse evento é um verdadeiro parque de diversões, e um ótimo motivo para voltar a escrever no blog.

Para que o parque de diversões não se transformasse num parque dos horrores devido aos problemas recorrentes de engarrafamentos e super lotação que ouvi, o despertador foi colocado para as 07:30 da manhã e pouco depois das 09hs já estávamos numa fila, uma grande fila para um evento cujos portões só seriam abertos as 10hs. Foi crucial, pois em parte por falta de organização, e em parte pela falta de educação de algumas pessoas, quando o evento é aberto, a fila deixa de fazer de sentido, mas conseguimos!
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De mapinha em mãos, sigam-me os bons!
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A ideia era ir direto para o Pavilhão Verde e voltar, já em direção à saída, aproveitando assim que o espaço ainda não estava tomando. Entretanto… ao olhar o Pavilhão Azul…não resistimos a uma paradinha, e acho que entenderão o porquê.

Primeiros passos dados e vejo à minha frente Ezio, em tamanho real, no estande da Editora Record. Ezio é o personagem principal da série Assassin’s Creed, romance adaptado da franquia de jogos de mesmo nome. É um tanto atípico um jogo de vídeo game dar origem a um livro tão interessante, talvez isso se deva ao fato de ter sido escrito por um historiador, que foi o que me levou a ler o livro (confesso que a história se passar na Florença renascentista também contribuiu um pouquinho).

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Foto tirada. Hora de ir ao estande da Saraiva dar o check em uma encomenda. Uma sacola de lona super prática, uma graça e melhor, por R$5,99. Como não amar?

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Não muito distante, o tão famoso trono de Game of Thrones nos esperava no estante da Leya, assim como uma filinha básica.
GOT
Rumo ao Pavilhão Verde.
Uma passadinha no estande da Martin Claret me rendeu seis livros em dois. Por R$ 34,90 três clássicos do terror num único tomo. Frankentein, O Médico e o Monstro e Drácula. E como recordar é viver, por mais R$ 34,90 tenho mais uma edição de Jane Austen, contendo Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão. Como eu disse, 6 em 2!

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E agora uma coisa que não estava nos meus planos. No estande da Novo Século não resisti e fiquei namorando as novas edições de Os Sete e Sétimo, do André Vianco. O papa da literatura vampiresca nacional. As novas capas estão lindas!
Nesse ínterim, uma mulher se aproxima para apresentar o livro de seu marido, lançamento da editora. Uma história de vampiros que tem a cidade do Rio como cenário. Foi uma ótima troca de idéias sobre literatura e vampiros. Ao fim, lá estava eu com Demônios da Noite de M.K.Takenaka, com direito a autógrafo e botón; o último lançamento do Vianco, A noite Maldita; e completando minha coleção, o volume I do Turno da Noite (até hoje não li, pois só tinha os volumes II e III). Os três por R$ 100,00 (já com desconto).
Agora era hora de voltar para o Pavilhão Azul e passar em outras editoras, como a Cia das Letras. Eu fui muito inocente. A essa altura o lugar já estava tomado de gente. Filas e mais filas para entrar nos estandes e para pagar. Impossível procurar qualquer coisa para comprar.
Era hora de ir.

O saldo foi super positivo, mas em parte porque chegamos cedo. Fica a dica e até 2015!

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros

O último livro que li e  será o primeiro sobre o qual escrevo aqui é ” Abraham Lincon: Caçador de Vampiros”, de Seth Grahame-Smith. Talvez não seja a melhor forma de começar,mas já que o blog se trata dos livros que leio,nada mais sincero que isso. Então,vamos lá.Eu gosto da ideia de mesclar História e ficção,via de regra me aventuro nestas leituras e esta foi uma delas, apesar de alguns amigos acharem um verdadeiro sacrilégio “brincar” com alguns personagens históricos tão emblemáticos,como no caso de Abe (a forma intimista com a qual o autor se refere diversas vezes a Abraham Lincoln).Confesso que me chamou a atenção o fato de se tratar de uma história de vampiros. Os considero seres sobrenaturais fascinantes, adoro desde que me lembro, tendo como  marco “Entrevista com o vampiro”, de Anne Rice, apaixonante, e com esta moda vampiresca dos dias atuais é rotina pipocarem diversos títulos envolvendo o tema, mas ainda é difícil encontrar vampiros com tamanha personalidade e complexidade como Lestat ( Sim, vou usá-lo como parâmetro diversas vezes!).

Voltando ao livro, não há dúvidas da habilidade do autor com as palavras, ele escreve bem e usou a criatividade para desenrolar sua história tomando como base um suposto diário secreto do político norte-americano, no qual o décimo sexto Presidente dos EUA conta suas aventuras como caçador de vampiros, em paralelo a real biografia de Abraham, que por si só já rendeu e poderá render diversos livros, afinal ele era o comadante do país durante a Guerra Civil, que terminou com a manutenção da União e o fim da escravidão, um período da História norte-americana que ainda fascína os estadunidenses.Como li por aí, é uma forma engraçada de retratar Abraham Lincoln,mas acho que alguns exageros foram cometidos, as “provas” iconográficas mostraram-se bastante desnecessárias, rísíveis, na verdade, mas se o objetivo era este, foi alcançado.

Pela biografia do autor,produtor de cinema e televisão, se percebe que o livro foi escrito para ser transportado para as telonas, sendo que a parceria com Tim Burton provavelmente resultará em um filme de ação bem ao estilo americano.

Por fim, dificilmente acho que um livro não vale a pena,mas não pretendo ler o outro título do autor ” Orgulho e Preconceito e Zumbis”, os vampiros me bastaram.