Mindhunter

Eu não tenho vindo muito aqui e isso é um fato. Contudo, a mente e o dedo coçam para escrever quando esbarro em alguma coisa muito incrível. Foi assim com O Conto da Aia e o mesmo rolou com a série Mindhunter, estreia da última sexta da Netflix e que devorei no domingo de uma tacada só.

A série se passa nos EUA do final dos anos setenta, um momento pós Vietnã, ainda de Guerra Fria, com muita desconfiança e conflitos internos, principalmente de ordem social e democrática, que como é conversado na própria série, terminam por influenciar a dinâmica da sociedade, inclusive, quanto à criminalidade. É um período no qual a busca pela motivação, pela relação entre assassino e vítima como caminho óbvio para a solução de um caso não funciona mais de forma tão simples. A coisa torna-se mais cinza.

Nesse contexto, os agentes do FBI Holder Ford e Bill Tench, através da psicologia e análise comportamental, começam a pensar em outras formas de entender os crimes cada vez mais violentos e sem motivação aparente, assim como quem os comete, os famosos assassinos em série. Jonathan Groff e Holt McCallany, que interpretam os agentes Ford e Tench, respectivamente, tem uma química ímpar e funcionam maravilhosamente em cena, excelentes, assim como Anna Torv, atriz que dá vida a acadêmica Wendy Carr, uma personagem feminina bem bacana diga-se de passagem, consultora do projeto, que tem como principal faceta entrevistar assassinos violentos.

Aqui abro um parêntese para a atuação de Cameron Britton como Edmund Kemper, o “assassino de colegiais” e objeto inicial da pesquisa, o “paciente zero” da investigação através da qual os agentes esperam entender a mente desses criminosos e assim, prevenir o horror que eles disseminam. Enquanto assistia as cenas na qual ele participa já o achei incrível, assim como os diálogos e as interações com os agentes, tudo muito bem construído, mas vai lém e explico a seguir. Eu curto séries e filmes policiais, de investigação e etc, mas não sou uma grande aficionada por serial killers, então, apesar de saber que aqueles representados em tela são pessoas reais eu não tinha material para comparação, sendo assim, após terminar a série e ler aqui e acolá o quanto Britton estava perfeitamente caracterizado, assisti uma entrevista do verdadeiro Kempler e MEU DEUS DO CÉU! Dêem um prêmio a esse homem! O tom de voz, os trejeitos, a fala, tudo! Impressionante. Fecho parêntese.

Resumindo, é uma série bem inteligente, com um ritmo bom, tanto que não entendi algumas pessoas reclamando que ela é lenta. Na minha opinião, ela vai crescendo e ficando mais complexa, acompanhando os personagens e os desafios que esses assumem enquanto vanguarda, pois sabemos o quanto complicado pode ser pensar em algo novo ou sob uma nova pespectiva, pois o diferente assusta, principalmente quando envolve questões de ordem moral e ética.

A contagem para a segunda temporada está aberta e a expectativa altíssima!

 

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Jessica Jones #Séries

Acabei de assistir toda a primeira temporada de Jessica Jones na Netflix e não podia deixar passar, então, estes são meus cinco minutinhos sobre a série :

Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma investigadora particular com certas habilidades especiais, que acabaram chamando a atenção de um “canalha maldito” que por infelicidade do destino tem o poder de controlar mentes, Kilgrave, interpretado magistralmente por David Tennant – ouso dizer que um dos melhores, quiça o melhor vilão da Marvel –  , que a forçou a fazer coisas que a atormentam até o presente, uma realidade repleta de whiskys baratos, mau humor e sarcasmo.

JessicaJones_Imagem de divulgação

E partimos para a parte boa (e interessante), aquela na qual declaro ser uma das melhores investidas da Marvel,  o que apenas reafirma que a parceria com a Netflix , iniciada com o também incrível Demolidor, foi uma escolha super acertada. O enredo é bem amarrado, os personagens são concretos e reais, apesar das habilidades. Por sinal, a série permaneceria bem bacana sem toda a questão dos poderes, e talvez isso a torne tão marcante.

Não temos lutas épicas como em Demolidor, mas alguns diálogos dignos de nota, como quando Jessica enfrenta Kilgrave ao afirmar que enquanto estava sobre seu controle ele a estuprava todos os dias, não apenas fisicamente, mas que ele violou cada célula do seu corpo e cada pensamento de sua mente, já que ela não queria nada daquilo e não cabia a ele decidir por ela.

Kilgrave_Imagem de divulgação

E chegamos no ponto no qual eu queria. É uma série da Marvel que trata de abuso, afinal, tire os poderes de Kilgrave e ele é mais um homem machista, violento e perseguidor que acredita que um cromossomo y lhe dá o poder de decidir a vida de uma mulher, que para ele  é apenas uma propriedade.

Palmas para os produtores enquanto aguardo a segunda temporada e o seguro crossover com Demolidor, “linkado” finamente nos últimos episódios.

Sense8 #Séries

Sense8

Quem acompanha o mundo das séries já deve ter notado que a Netflix está apostando alto em lançamentos originais, House Of Cards, Demolidor, Orange is the new Black, dentre outros, tendo Sense8 entrado para a lista recentemente, e já com os 12 episódios disponibilizados de uma só vez.

Usando o viés da ficção científica, a série escrita, dirigida e produzida por Andy e Lana Wachowski, os irmãos criadores de Matrix, e J. Michael Straczynski, de Babylon 5, relata a surreal história de oito estranhos, que após se depararem com a visão impactante da morte de uma mulher desconhecida, se veem conectados uns aos outros em um nível extremamente íntimo, mental e emocionalmente.

Sem revelar muitas informações logo de cara, aos poucos somos apresentados aos personagens: Will (Brian J. Smith), um policial de Chicago assombrado por questões não respondidas, Nomi (Jamie Clayton), uma hacker transexual lésbica de São Francisco, Riley (Tuppense Middleton), uma DJ islandesa com um passado traumatizante, Lito (Miguel Ángel Silvestre), um galã de novelas mexicanas e gay não assumido, Kala (Tina Desai), uma farmacêutica indiana com dúvidas sobre seu futuro casamento, Capheus (Aml Ameen), um motorista de van queniano que luta diariamente para sobreviver e ajudar sua mãe doente, Sun (Doona Bae), uma executiva e lutadora de artes marciais sul-coreana que por ser mulher não vê seu trabalho devidamente reconhecido pelo pai e pela sociedade, e Wolfgang (Max Riemelt), um arrombador de cofres alemão com graves problemas com o falecido pai. Todos distantes fisicamente, com origens, culturas, religiões e identidades sexuais também diferentes, ou seja, diversos.

Foto Divulgação
Foto Divulgação

Diversidade, por sinal, é a grande marca da série. Somos colocados diante de situações e vivências que podem não fazer parte do nosso cotidiano, mas com certeza é o dia a dia de muita gente. Nos deparamos com as lutas individuais de cada personagem dentro do seu mundo, nos aproximando do outro e consequentemente de nós mesmos. Problemas com dinheiro, doenças, família, conflitos com o passado e o presente, dúvidas sobre si mesmo. Assistimos a tudo isso, e também como as habilidades pessoais de cada sensate são capazes de ajudar ao outro, seja dirigindo um carro, invadindo uma rede de computadores, elaborando uma mentira ou defendendo-se com os punhos. A propósito, as melhores cenas, e não tenho dúvida de que as mais complexas de serem gravadas, são eles agindo como um, sendo um só.

Sense8
Foto Divulgação

E em um mundo que odeia diversidade, que tem medo do diferente, a existência dos sensate é tida como ameaça, passando os mesmos a serem perseguidos por uma organização de alcance mundial e com objetivos pra lá de sombrios. Para sobreviverem eles terão que persistir, aprender a explorar essa íntima ligação da forma mais completa possível, o que provavelmente veremos na 2a temporada.

Contudo, como praticamente todo programa, tem seus altos e baixos. A naturalidade com que inicialmente alguns dos personagens tratam as “alucinações” me foi estranha, pois é de se esperar um pouco de confusão, questionamentos, preocupações. Outro ponto que questionei foi o fato de todos os núcleos falarem inglês. A série vai dos EUA, à Europa, passando por Ásia, África e México, mas os coreanos falam em inglês entre si, assim como os mexicanos e alemães. Automaticamente lembrei de um filme produzido aqui no Brasil todo falado no português do período colonial, uma “língua morta”, mas que deu um efeito incrível para o longa. Sendo assim, não consigo ver grandes dificuldades para, pelo menos internamente, os núcleos se comunicarem nas línguas nativas, deixando talvez o predomínio do idioma anglo-saxão para os diálogos entre os sensates, dessa forma, partiríamos do pressuposto que todos os oito se entendem automaticamente, mas ok. Os pontos fortes são tão bacanas, que é plenamente possível relevar essas opções, que na minha opinião, poderiam ter sido diferentes.

É uma série para ser vista por todos (maiores de 18 anos, claro, pois tem cenas explícitas de nudez e sexo), mas principalmente pela “família tradicional brasileira”, para que ela tenha noção de que será engolida pela História, pois a evolução não espera os conservadores, ela os atropela.

A lição é clara: Somos heterossexuais, gays, lésbicas e transexuais. Somos brancos, asiáticos, negros e indianos. Somos católicos, umbandistas, muçulmanos e protestantes. Somos todos um só, humanos.

 Segue o trailer (reparem que “Habemus Sayid”!rs) :

True Detective #Séries

True Detective

Meio que às cegas decidi assistir uma série que há tempos ouvia falar muito bem, e essa era a única informação que tinha, além do nome: True Detective. Agora, estamos apenas há alguns dias do início da segunda temporada ser lançada, e eu ainda não consegui desapegar da história e dos personagens da temporada de estreia. O impacto foi demais, então, faço esse post como um encerramento, para seguir em frente e poder encarar a segunda temporada, que também promete ser arrebatadora.

Escrita por Nic Pizzolatto e dirigida por Cary Joji Fukunaga, a temporada sobre a qual escrevo relata a história de Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson), dois detetives com trajetórias de vida completamente diferentes, mas que têm de trabalhar juntos na investigação de um assassinato incomum na região de Louisiana na década de 1990. Um serial killer envolvido com uma mescla assustadora de culto bizarro e abuso infantil termina por ser revelado. Anos se passam e o caso é reaberto em 2012, levando os então afastados detetives à uma nova caçada, mais pessoal e redentora que a primeira.

Inspirado nos contos fantásticos de Robert Chambers acerca de um mitológico e obscuro Rei de Amarelo, o roteiro nos envolve e nos surpreende de tal forma que é impossível não se agoniar e também se maravilhar; além de diálogos originais e inteligentes, com diversas referências filosóficas, principalmente, através dos dizeres do pessimista e perturbado Rush.

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As atuações, por sinal, são um show à parte, memoráveis e dignas das mais diversas premiações. McConaughey dá um verdadeiro show de interpretação, dando conta da agressividade e profundidade com a qual o complexo Cohle foi construído. Mas não se enganem, Harrelson não fica atrás, e também entrega um trabalho maravilhoso, contribuindo para que a sintonia dos dois em cena seja sensacional.

Foram oito episódios de uma excelência incrível, e aos poucos fui me encantando, me apaixonando e me surpreendendo, para ao fim restar apenas uma questão: Por que demorei tanto para assistir?

Para finalizar deixou-os com os trailers da primeira e da segunda temporada.

Sobre a questão da mulher em Game Of Thrones

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Temos mais uma cena “polêmica” em Game Of Thrones envolvendo violência contra a mulher. E uma vez mais as discussões nem sempre chegam ao núcleo do problema. É mais que “Livro x Série”. Quem me conhece sabe que não sou xiita no quesito adaptações, o próprio nome já diz, não será igual aos livros, não deve ser e não pode ser. Contudo, defendo que a essência da obra literária deva permanecer, e depois de emendar uma temporada na outra de Game Of Thrones, como bem sabem, é impossível não perceber que algumas adaptações não foram bem sucedidas, como Dorne, quase risível.

A retirada de personagens interessantes, principalmente mulheres, também não foi difícil de notar. O cerne de algumas personagens também foi alterado, suas trajetórias, sendo a violência contra a mulher, em grande parte não ocorrida nos livros, utilizada em algumas ocasiões para vitimizar ao invés de empoderar. Será que chocar o público e polemizar é mais importante do que a preocupação e cuidado em adaptar uma obra que retrata tão bem o papel da mulher, mesmo dentro das adversidades que o próprio universo proporciona? Não vou ficar aqui discorrendo sobre o assunto, deixarei alguns links da página Game Of Thrones BR, cuja leitura, não apenas do texto em si, mas dos comentários, acredito que contribuirá para que tenham uma opinião mais fundamentada. Concordando ou não. O importante é não apelar para “mimi” “recalque” , pois nem tudo, na verdade, a grande maioria das coisas na vida não se resumem à essas duas expressões. Valendo sempre lembrar que entretenimento não é apenas distração,  também é meio de perpetuar conceitos, culturas e ideais de uma sociedade.

E já respondendo: Não vou deixar de assistir a série, o que não me impede de criticá-la/questioná-la quando achar que devo.

Demolidor #Séries

Vivemos a Era das Séries, principalmente adaptações. Livros e HQs são o foco dos produtores, com destaque para os heróis, Agents of SHIELD, Gotham, The Flash, entre outras, sempre melhorando e expandindo o universo Marvel/DC, mas foi com a recente parceria com a Netflix que alcançaram a excelência.

Demolidor

Demolidor, cuja única lembrança que possuía era o sofrível filme estrelado por Ben Affleck – o futuro Batman – , conquistou o público, leitores ou não da HQ. Os que acompanham os quadrinhos desde o início estão eufóricos diante da forma sensacional com a qual a essência do personagem foi capturada. Eu, apesar de nunca ter sido uma ávida fã do gênero, minha simpatia por super-heróis vem mais dos desenhos animados, e sem ter lido uma linha da história original, emendei um episódio no outro sem o menor pudor.

Com um herói mais “pé no chão”, a série relata a vida de Matthew Murdock (Charlie Cox), que quando criança sofreu um acidente com produtos químicos que lhe tiraram a visão, mas em contrapartida, lhe aguçaram outros sentidos, e por isso ele possui habilidades especiais. Com um senso aguçado também de justiça, Matthew se transforma em um advogado idealista, e junto de seu amigo Foggy (Elden Henson), iniciam uma sociedade que tentará fazer a diferença em Hell’s Kitchen, o simplório bairro onde cresceram, que hoje está em reconstrução após a Batalha de Nova York – Os Vingadores -, dominado pela violência e nas mãos de senhores do crime, ou melhor, “O” senhor do crime, Wilson Fisk, magistralmente interpretado por Vincent D’Onofrio. Contudo, o sucesso dentro da lei e da justiça formal nem sempre é possível diante da burocracia e da corrupção, sendo assim, Matthew decide agir por conta própria e começa a levar uma vida dupla. De dia, advogado. De noite, justiceiro.

Tendo um clima bem mais sombrio que as demais séries e filmes do universo Marvel, Demolidor se destaca com a boa e velha pancadaria. Sem grandiosos efeitos especiais, assistimos sequências e mais sequências de pura ação e violência, com resultados como a já famosa “cena de luta do corredor“, agressiva e bela ao mesmo. Por sinal, a fotografia é mais uma vitória da série, incrível!

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O roteiro também se destaca. As histórias dos personagens são reveladas aos poucos, com o uso na medida de flasbacks muito bem construídos e entrelaçados ao enredo. Mas o que seria de um bom roteiro sem um elenco de primeira? Com Demolidor, não saberemos, pois todos arrasam, do próprio Charlie Cox ao ator que interpreta Murdock ainda criança (Skylar Gaertner), passando pelo bom humor de Foggy, retratado muito bem por Henson, e determinação de Karen Page (Deborah Ann Woll), que vai se firmando a cada episódio.

Elenco Demolidor

No total, a primeira temporada conta com 13 episódios, disponíveis no Netflix, sendo que a segunda temporada já foi confirmada. Tá esperando o que para assistir? Se for mais um gostinho da trama, dá uma olhadinha no trailer:

Game Of Thrones #Especial

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~O texto possui informações sobre o enredo~

Fui resistente à serie, inicialmente pelo menos. A velha mania de querer ler antes de assistir à adaptação, não que eu seja uma xiita no assunto, pelo contrário. Não entôo o mantra “o livro é sempre melhor”, sempre é uma palavra muito forte e existem casos em que tal afirmativa não é verdadeira. Também acredito que mudanças são importantes, até a inserção de alguns elementos pode agregar valor à história, deixar a coisa mais “redonda” para o público, como foi o caso do segundo filme da Trilogia Divergente. Contudo, em histórias tão complexas como As Crônicas de Gelo e Fogo mudanças são imprescindíveis tendo em vista que os livros possuem em média mais de 800 páginas, enquanto as temporadas são compostas de 10 episódios, com pouco mais de 50 minutos cada. Agora, se as alterações agradaram aos leitores, partindo do pressuposto de que só quem leu pode fazer tal comparação, é algo bem pessoal.

Quando assisti à primeira temporada de Game Of Thrones parecia aos meus olhos uma colcha de retalhos, um Frankenstein do Livro I, pedaços de histórias mais amplas. Engraçado como hoje percebo o quanto ela foi mais fiel ao livro do que outras temporadas. Depois disso, parei de acompanhar, continuei apenas com a leitura, como bem sabem, e só após o término do quinto livro voltei lá para a segunda temporada, de onde parei.

Em torno de duas semanas se passaram, e com tudo devidamente assistido, posso dizer: Quantas mudanças amigos! Algumas acertaram em cheio, outras eu realmente não alcancei o objetivo. Um ponto delicado de observação foi a retiradas de certos diálogos que alteram questões tênues do enredo, principalmente as relações entre determinados personagens.

GOT_Personagens

Um dos acertos, sem dúvida, foi o desenvolvimento de Sansa. Na altura em que estamos ela é bem mais forte na série. Enquanto a versão literária chorava por ter presenciado a morte da tia (que ocorreu em circunstâncias um tanto quanto diferentes) e imaginava o problema que seria mentir aos Lordes do Vale, seu eu televisivo foi lá e contou-lhes a verdade, pelo menos a parte que lhe interessava, coisa que nunca ocorreu no livro, e a meu ver, ficou melhor. Os produtores também foram felizes quando se trata de Daenerys, pois ficaram com as melhores partes, aquelas com mais ação e desenrolar, enquanto o livro, além delas, tem uma enormidade de nomes praticamente impronunciáveis e todo o mimimi.

Entretanto, como já dito, algumas mudanças me foram estranhas, como a inserção dos irmãos Reed no meio da floresta, quando eles poderiam, assim como no livro, serem os convidados dos Stark desde o início. Entendi menos ainda terem matado Jojen (algo que ainda não ocorreu nos livros, apesar dos sinais de que é inevitável), assim como os colocarem prisioneiros dos ex-patrulheiros que assassinaram Mormont e se apossaram da moradia de Craster. Para sermos sinceros, no quesito saga Brandon Stark tivemos muita coisa diferente. A forma como ele e Rickon saem de Winterfell após o incêndio e se separam, o fato de para todo o Westeros (com exceção dos Bolton, mas só ficamos sabendo disso no quinto livro) eles estarem realmente mortos, tal notícia, inclusive, foi crucial na decisão de Catelyn liberar Jamie na esperança de conseguir as filhas de volta. O caminho percorrido pro Brandon até o Corvo de Três Olhos é mais vagarosa e cheia de percalços, mas a série acertou na essência. Contudo, senti falta do Mãos Frias, um personagem misterioso e com uma aparente função importante, mas ignorado pela série, como outros.

Lannister

Também não vi, particularmente, necessidade de transformar Joffrey em um completo sádico, ele já era um menino cruel e mimado o suficiente para que o quiséssemos ver pelas costas. Contudo, sua mãe, Cersei, é exatamente igual no livro, mesmo com passagens retiradas aqui e ali, sua obsessão pelo poder é fielmente retratada. Falando em Lannister, Tyrion e Jamie foram ganhando minha simpatia ao longo da história e por isso, apesar de sentir falta da ultima conversa que tiveram, na qual o Comandante da Guarda Real abre o jogo sobe quem era realmente Tysha, a primeira mulher do nosso querido anão, fiquei aliviada pela relação dos dois ~ainda~ estar inabalada, porém, foi a declaração de que ela não era prostituta que levou Tyrion a ir atrás do pai, e a confirmação pelo mesmo, acrescentado pela cruel e irônica resposta de Tywin ao ser arguido sobre o paradeiro dela ~ para onde quer que as putas vão ~ que o levou a disparar a besta, assassinando o temível leão.

Já que fomos até Porto Real, vale dizer que alguns personagens que sequer tem voz nos livros cresceram na série, como é o caso de Margaery, cujas ambições podemos apenas deduzir, assim como algumas ações da Casa Tyrell, mas que na HBO são bem concretas.

jon_snow

Em comum, livro e série têm nas partes da trama dedicadas à Muralha, e ao verdadeiro norte, as melhores, e minhas queridas. A Batalha de Castelo Negro foi sensacional em ambos e Jon, como é sabido, é meu preferido. Se dependesse de mim, colocava ele sentado no Trono de Ferro, lhe dava um dragão e pronto. Saga encerrada! rs

Contudo, o que acho ou deixo de achar pouco importa para George R. R. Martin, que até a presente data não fez menção em publicar a continuação, Os Ventos de Inverno, causando uma grande polêmica entre os fãs, pois enquanto aguardamos o livro, a série avança normalmente na TV, e como já foi falado na mídia, o show continuará com ou sem livro. Desrespeito ao leitor? Estratégia de Marketing? Não sei. Apenas posso imaginar que a coisa cresceu a tal ponto que talvez a série tenha passado a ser prioridade, quem sabe até para o autor, que tem participação ativa no desenvolvimento da trama para a TV.

CS 67 26th October 2010

Até onde se tem notícia Martin está terminando o Livro Seis, e já declarou a vontade de levá-lo ao público antes da 6a temporada de GOT, o que seria ótimo, mas tenho minhas teorias, que envolvem, entre outras coisas, a desconfiança de que a história já está terminada, talvez precisando de uma revisão aqui e um ajuste ali, mas pronta. Talvez a vontade de prolongar algo que gera tamanha comoção e dinheiro seja grande demais.

A verdade é que fã sempre dá um jeito. Há quem esteja se recusando a acompanhar a série até o lançamento do livro, aqueles que não se importam e até quem se importe, mas vai assistir da mesma forma (me incluo nesse grupo) e a hora que o livro sair, saiu, o que não nos impede de protestar: Libera o livro Tio George!