Mindhunter – O livro

Sou daquelas que prefere ler o livro antes de assisir a uma série e/ou filme, então se você é como eu e está pensando em acompanhar a série Mindhunter, sobre a qual falei aqui, mas quer ler o livro antes, peço que tenha calma e sente aqui para a gente conversar.

Maratonei a série em um único dia e logo após a estreia. Eu nem sabia que existia um livro, o quão era real e ficcional no que estava assistindo e agradeço imensamente por isso.

O livro é bom, gostei bastante, mas desconfio que só achei isso por ter assistido a série antes. Vejam bem, como disse quando escrevi sobre a série, não sou aficionada por serial killers e só conhecia nomes e histórias mais famosas, como Charles Manson. Sendo assim, sem a empolgação e a base da série eu talvez tivesse perdido o interesse durante a leitura, principalmente nos primeiros capítulos, os quais abordam muito da vida pessoal do agente John Douglas, que em parceria com Mark Olshaker, escreveram o livro e que na série é adaptado como o personagem Holden Ford.

Por sinal, a vida pessoal de inspiração e personagem divergem bastante, mas os relatos dos casos nos quais trabalhou, cuja linha do tempo vai e volta entre as décadas de 1970 e 1980, principalmente, pareceram bem fidedignos, assim como ele e sua equipe desenvolveram a técnica de análise de perfis e a “venderam” para o próprio FBI e para a sociedade como um todo. Contudo, no texto não há certos apelos que a série tem.

Lemos sobre os casos, a maioria envolvendo as maiores atrocidades contra mulheres e crianças e isso pesou bastante. Lemos também sobre as entrevistas, que através do relato ficaram bizarramente menos assustadoras. O texto também aborda o impacto do trabalho na vida pessoal de Douglas, a relação com os colegas e a Agência, mas faltou, aos meus olhos pelo menos, o jogo psicológico que tornou a série tão interessante, o que é natural no caso de uma adaptação desse tipo.

Pelo que disse aqui, deixo a recomendação de ler o livro apenas depois de assistir e se viciar na série. A não ser que você já seja um entusiasta da temática e sendo assim, provavelmente até já leu o livro e nesse caso, a única coisa que me resta dizer é: boa maratona 😉

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Mindhunter

Eu não tenho vindo muito aqui e isso é um fato. Contudo, a mente e o dedo coçam para escrever quando esbarro em alguma coisa muito incrível. Foi assim com O Conto da Aia e o mesmo rolou com a série Mindhunter, estreia da última sexta da Netflix e que devorei no domingo de uma tacada só.

A série se passa nos EUA do final dos anos setenta, um momento pós Vietnã, ainda de Guerra Fria, com muita desconfiança e conflitos internos, principalmente de ordem social e democrática, que como é conversado na própria série, terminam por influenciar a dinâmica da sociedade, inclusive, quanto à criminalidade. É um período no qual a busca pela motivação, pela relação entre assassino e vítima como caminho óbvio para a solução de um caso não funciona mais de forma tão simples. A coisa torna-se mais cinza.

Nesse contexto, os agentes do FBI Holder Ford e Bill Tench, através da psicologia e análise comportamental, começam a pensar em outras formas de entender os crimes cada vez mais violentos e sem motivação aparente, assim como quem os comete, os famosos assassinos em série. Jonathan Groff e Holt McCallany, que interpretam os agentes Ford e Tench, respectivamente, tem uma química ímpar e funcionam maravilhosamente em cena, excelentes, assim como Anna Torv, atriz que dá vida a acadêmica Wendy Carr, uma personagem feminina bem bacana diga-se de passagem, consultora do projeto, que tem como principal faceta entrevistar assassinos violentos.

Aqui abro um parêntese para a atuação de Cameron Britton como Edmund Kemper, o “assassino de colegiais” e objeto inicial da pesquisa, o “paciente zero” da investigação através da qual os agentes esperam entender a mente desses criminosos e assim, prevenir o horror que eles disseminam. Enquanto assistia as cenas na qual ele participa já o achei incrível, assim como os diálogos e as interações com os agentes, tudo muito bem construído, mas vai lém e explico a seguir. Eu curto séries e filmes policiais, de investigação e etc, mas não sou uma grande aficionada por serial killers, então, apesar de saber que aqueles representados em tela são pessoas reais eu não tinha material para comparação, sendo assim, após terminar a série e ler aqui e acolá o quanto Britton estava perfeitamente caracterizado, assisti uma entrevista do verdadeiro Kemper e MEU DEUS DO CÉU! Dêem um prêmio a esse homem! O tom de voz, os trejeitos, a fala, tudo! Impressionante. Fecho parêntese.

Resumindo, é uma série bem inteligente, com um ritmo bom, tanto que não entendi algumas pessoas reclamando que ela é lenta. Na minha opinião, ela vai crescendo e ficando mais complexa, acompanhando os personagens e os desafios que esses assumem enquanto vanguarda, pois sabemos o quanto complicado pode ser pensar em algo novo ou sob uma nova pespectiva, pois o diferente assusta, principalmente quando envolve questões de ordem moral e ética.

A contagem para a segunda temporada está aberta e a expectativa altíssima!