Travessuras da Menina Má

Mais uma história na mente e um livro lido na estante.A história da vez é “Travessuras da Menina Má”, de Mario Vargas Llosa. Há tempos quero ler este romance, vontade que se exacerbou na minha viagem ao Peru, até cheguei a comprá-lo lá em Lima, uma versão pocket, mas não consegui ler em castelhano por mais que tentasse (dor de cabeça por ler em uma língua na qual não se é fluente). Desisti e resolvi comprá-lo em português quando estive diante de uma daquelas promoções irresistíveis e foi a melhor decisão que tomei.O livro é narrado por Ricardo, Ricardito para os íntimos, um peruano de Miraflores (bairro elitizado de Lima até os dias de hoje), que conta sua história através da paixão nutrida em todas as fases de sua vida pela peruanita mala, que desde a adolescência exerce seu poder de sedução sobre ele.

A história não se restringe a terras peruanas, pelo contrário, se expande para Europa e Ásia, sempre contextualizada com os períodos no qual a trama se desenvolve. A questionadora Paris dos anos 60, a cosmopolita Londres da década de 70, Tóquio em tempos áureos de Yakuza e a Madri pós ditadura. Quarenta anos de encontros e desencontros narrados como se um amigo os estivesse contando.

Os personagens, muito bem construídos, nos envolvem na história de tal forma que é impossível não sentir raiva da menina má, sempre se recriando, literalmente, entrando e saindo da vida de Ricardo de forma egoísta e abrupta, deixando um rastro de destruição pelo caminho.

Impossível não achá-lo um imbecil, como ele mesmo se denomina, em sempre deixá-la ir e vir pelo simples prazer de tê-la ao seu lado e na sua cama, mesmo sabendo, em seu íntimo, que ela só ficaria o tempo apropriado e útil aos seus próprios interesses.

Contudo, apesar de ter todos os ingredientes para ser uma história de amor doentia, e não deixa de sê-lo, na qual nunca se torce para os personagens ficarem juntos, o autor consegue guiá-la para uma linda e invejável história de amor. Ele sempre apaixonado pelo simples fato dela ser essa mulher sedutora, mutante, determinada e muitas vezes sem escrúpulos que era a menina má; e Ela sempre tendo no bom menino seu porto seguro.

Definitivamente este peruano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura ganhou um espaço no meu coração e na minha estante, ai que breguiçes eu digo de vez em quando!rs

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