O Conto da Aia

Acabou. E eu encarava a tela do kindle tentando processar tudo que eu acabara de ler. O medo, a revolta, a angústia e principalmente a impotência dividida com Offred, que é quem, através de relatos feitos em primeira pessoa, nos conta como é viver sob o domínio de um regime teocrático, cuja principal medida é o controle total e absoluto dos corpos femininos, para que estes sirvam apenas a um propósito, o da procriação. É aterrorizante.

O Conto da Aia é uma distopia, eu sei. Mas será mesmo ? Porque o que li está acontecendo AGORA em diversos lugares do mundo sob outras roupagens, em nome dos mais variados deuses e culturas, e como o mau está sempre a espreita, sabemos que tendo oportunidade a bancada da bíblia, e sua coirmã a bancada da bala, farão algo não muito diferente por aqui. E é isso que me deixou extremamente desolada. Os sinais de retrocesso estão aí, como a personagem também relata no livro, mas muitas vezes ficamos paralisadas, impotentes e perigosamente confiantes no sistema, na justiça, na ideia de que certos absurdos jamais passarão, como o congelamento de nossas contas bancárias ou a proibição do trabalho da mulher – de quantas bocas já ouvimos que o lugar da mulher é cuidando da casa, do marido e dos filhos?. Offred assitiu a isso tudo e acabou presa em um lugar no qual estupro, sequestro, tortura e o assassinato de mulheres foram adotados como política de Estado. Tiveram apoio para tal, e não só de homens, naturalmente, mas de mulheres também (Para quem leu, apenas digo: Não seja uma Tia!).

 O meu marido pode me defender, meu irmão, seu pai, namorado, algum amigo podem te defender, mas os homens como gênero e grupo não nos salvarão. Só nós, mulheres, podemos fazer isso. Acho que o recado, a lição, a moral, ou como você quiser nomear, é: Fiquemos atentas e unidas.

Obs: Sim, eu vim aqui sem dar qualquer explicação sobre o sumiço, mas é que eu precisava muito escrever sobre esse livro, nem que fossem apenas esses pequenos parágrafos.
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