Mensageiros da Morte

Mensageiros da Morte

Um dos negócios mais lucrativos do planeta é o de armamentos, e como toda atividade, está sujeita às crises que vão e vem ao longo da história do capitalismo. Uma guerra em um contexto como esse pode vir a calhar aos empresários do ramo, isso não é novidade, como também não é o fato de que muitas teorias conspiratórias já se enveredaram por essas turvas águas, principalmente quando os EUA estão em um dos polos do conflito. Uma guerra arquitetada única e exclusivamente visando o lucro da indústria armamentista? Parece crível para mim, afinal quando dizem que na guerra não há vencedores, esquecem-se dos que fornecem as armas. Contudo, Marcos de Sousa vai além e escreve o que poderia acontecer quando os limites são realmente esquecidos, a moral deixada mofando em alguma gaveta e algo do gênero toma proporções globais.

O banho de sangue está sob o comando do “Chefe”, que tal como um grande vilão das histórias em quadrinhos, tem como objetivo principal dominar o mundo, tendo para isso tudo e todos sob seu controle. Ele arquiteta um plano ousado e cruel, que usando das mais diversas e poderosas peças molda o mundo aos seus interesses, independente de quantas almas tenha que ceifar. A roda do poder gira ao seu favor, enquanto reles mortais tentam sobreviver em meio ao caos, como Enzo, um ex- policial carioca cuja vida foi destroçada antes mesmo da batalha começar, e até Thiago, que apesar de reles não ter nada, seu papel na história pode surpreender a todos, inclusive, a si próprio.

Os personagens são os mais distintos, tanto que inicialmente ficamos ressabiados sobre quem terá destaque na história, quem será o principal, mas as cartas vão sendo jogadas ao longo dos curtos capítulos e das diversas localidades ao redor do globo no qual a história se desenrola, o que, por sinal, dá ao livro uma agilidade surpreendente, e em certa altura já podemos ter ideia dos papéis a serem desempenhados, apesar disso não nos preparar para o eletrizante e tenso final.

Mensageiros da Morte é o romance de estreia do autor brasileiro Marcos de Sousa, que talvez na busca pela perfeição tenha por vezes endurecido alguns diálogos, mas que não chegam a comprometer uma história para lá de interessante e que promete se estender, para nossa sorte e ansiedade, em mais alguns livros.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro

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Dia da Literatura Brasileira

1° de Maio é aniversário de José de Alencar, e a data escolhida para celebração da Literatura Brasileira. Como homenagem, reuni cinco livros de autores nacionais contemporâneos que já foram resenhados aqui no Blog. Confira:

1 – Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera

Barba Ensopada de Sangue

Barba ensopada de sangue é um livro intenso, elaborado e com personagens tão concretos que dá vontade de abraçar. Escrito todo no presente, uma tendência atual, nos faz entrar ainda mais na história.

Com uma narrativa incrível, diálogos ágeis e bem construídos (sem aquela artificialidade com a qual, por vezes, esbarramos por aí), um narrador impessoal nos faz acompanhar a trajetória de nosso herói, um professor de educação física sem nome, cuja condição neurológica o impossibilita de armazenar as feições humanas, ou seja, ele não lembra de ninguém, sequer do próprio rosto.

Resenha Completa: https://goo.gl/AAQTXB

2 – Corações Sujos, de Fernando Morais

Corações Sujos

O livro, na verdade, é uma grande reportagem sobre a Shindo Renmei, como o próprio subtítulo nos adianta. O cenário é o pós Segunda Guerra Mundial, quando em 1945, o Eixo é derrotado, com um final tristemente cinematográfico e altamente questionável (como se uma guerra por si só não fosse questionável?!): as bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagazaki, que sujaram de cinzas e sangue o já derrotado Japão.

Enquanto a Europa dividia o espólio de guerra, no Brasil, os japoneses que haviam imigrado anos antes se viram diante de um dilema até então desconhecido: Como acreditar na derrota do Império do sol nascente? Como acreditar que Hiroíto, o próprio deus encarnado, havia perecido?

Resenha Completa: https://goo.gl/ckebVi

3 – Amores Proibidos na História do Brasil, de Maurício Oliveira

120401001Em um trajeto de mais ou menos duzentos anos na História do Brasil, o autor escolheu sete relacionamentos famosos e conturbados e escreveu sobre eles. Ao passo que se afastou da formalidade que o papel de “personagem histórico” às vezes confere a estas pessoas, nos relatou suas experiências pessoais, humanizando-os. Em uma sequência cronológica as histórias apresentadas vão de Chica da Silva e João Fernandes a Lampião e Maria Bonita, passando por D. Pedro I e a Marquesa de Santos, Giuseppe e Anita Garibaldi, Joaquim Nabuco e Eufrásia Leite, Chiquinha Gonzaga e João Batista, e Oswald de Andrade e Pagu.

Resenha Completa: https://goo.gl/deJPHl

4 – Sangue Azul, de Ana Carolina Delmas

Sangue AzulAchar-se comum é algo rotineiro na juventude. Na verdade, é mais um medo do que uma constatação. E com Olívia Spencer, a personagem principal de Sangue Azul, não era diferente. Fazer amigos havia se tornado um bloqueio, o mundo dos livros era mais sua praia e a literatura uma verdadeira fuga ( nem preciso dizer que me identifiquei nesse ponto né?).

Mas, para o bem e para o mal, tudo muda. O imaginário se torna realidade, e o impossível passa a fazer parte da rotina quando Olívia conhece Nicolas, um ruivo bonitão cujo o tema “livros” gerou uma rápida identificação, mas enquanto ela fazia mais o estilo Jane Austen, ele gostava mesmo era de uma boa história policial ao estilo Conan Doyle ou do extraordinário em Allan Poe. Um casal próximo da perfeição, convenhamos.

Resenha Completa: https://goo.gl/wHdiBI

5 – Suicidas, de Raphael Montes

suicidas

Jovens trancados em um lugar afastado começam a matar uns aos outros. Poderia ser o ponto de partida para um filme de terror adolescente ruim, mas Raphael Montes usa esses elementos para escrever um texto ousado e com bastante personalidade, principalmente se considerarmos que é seu livro de estreia.

Suicidas relata a história de nove jovens da classe média alta do Rio de Janeiro que decidem fazer uma roleta-russa. O objetivo não era o jogo pelo jogo, mas sim que todos estivessem mortos ao final. O porquê dessa tragédia ainda não tinha sido desvendado quando a polícia, um ano após o episódio, decidiu reunir as mães dos suicidas para apresentar uma evidência até então não revelada e buscar respostas. Por que jovens, aparentemente, sem motivos se mataram?

Resenha Completa: https://goo.gl/ib7QdU

Suicidas

suicidas

Jovens trancados em um lugar afastado começam a matar uns aos outros. Poderia ser o ponto de partida para um filme de terror adolescente ruim, mas Raphael Montes usa esses elementos para escrever um texto ousado e com bastante personalidade, principalmente se considerarmos que é seu livro de estreia.

Suicidas relata a história de nove jovens da classe média alta do Rio de Janeiro que decidem fazer uma roleta-russa. O objetivo não era o jogo pelo jogo, mas sim que todos estivessem mortos ao final. O porquê dessa tragédia ainda não tinha sido desvendado quando a polícia, um ano após o episódio, decidiu reunir as mães dos suicidas para apresentar uma evidência até então não revelada e buscar respostas. Por que jovens, aparentemente, sem motivos se mataram?

De forma não linear, caminhando entre o presente e o passado, a narrativa alterna a transcrição da gravação do conturbado encontro da Delegada com as mães dos jovens, a leitura do diário de um dos suicidas, Alessandro, e as anotação feitas em tempo real pelo mesmo no dia e ao longo do ocorrido. Desta forma, a história e a narrativa formam um verdadeiro quebra-cabeças; vamos reconstruindo os passos dos suicidas, encontrando pistas aqui e ali que irão nos encaminhar para o gran finale . É um livro policial, é óbvio que tem um grande mistério a ser descoberto, algo que está apenas nas entrelinhas, nas suspeitas de um ou de outro.

A parte mais intensa, obviamente, são as anotações de Alessandro sobre o que aconteceu no porão da afastada Cyrille’s House. Forçados aos seus limites, máscaras desabaram e algumas verdades vieram à tona, assim como toda a violência. Cenas bem fortes foram lidas, inclusive, acompanhadas de algumas caretas. Mas o importante é que entre uma transcrição e uma página de diário, você se pega ansioso para a próxima anotação do fatídico dia.

O final. Ah, o final. Passou perto de um clichê nos últimos momentos, mas desviou e me ganhou na última frase.

Considerei o livro muito bom. Alguns podem ficar um pouco confusos com a leitura intercalada, mas aos poucos ela vai fluindo e as 488 páginas são lidas rapidamente.

DL do TigreLivro lido para o Desafio Literário do Tigre, mês de janeiro.

Tema: De autor brasileiro

Dia da Literatura Brasileira

Mais um feriadão na área e a homenagem da vez é merecidamente dedicada aqueles que fazem de todo dia um dia de luta, os trabalhadores.

Contudo, o dia 1o de Maio também é dedicado à Literatura Brasileira. A data foi escolhida em razão do nascimento de José de Alencar, o exemplo máximo do Romantismo. Quem nunca leu “O Guarani” na escola?O Guarani

E é exatamente à este ambiente que muitos de nós associamos a literatura nacional. Lá aprendemos a dividir a nossa literatura em fases : Barroco, Romantismo, Parnasianismo, Modernismo e outros que não lembro o nome agora. Mas geralmente, depois do vestibular, terminamos por deixar isso relegado a algum lugar distante na memória, mas algumas coisas ficam pra sempre. As descrições hiper detalhadas dos cômodos que serviram de palco para a devoção do índio Perí. O pulsar quase vivo do cortiço de Aluízio de Azevedo. E afinal Capitu, traiu ou não traiu? Eis a dúvida perpétua, não é mesmo? Rs

Mas não são só de Clássicos que vive nossa literatura. Eu lembro muito de dois livros paradidáticos que me encartaram na época da escola. “O escaravelho do Diabo”, uma história repleta de suspense, assassinatos, reviravoltas, fiquei fissurada pelo livro! E um outro cujo nome não recordei e o Oráculo (conhecido também como Google) também não localizou, mas era um livro sobre um menino verde limão. Acho que tratava sobre as diferenças e coisas do gênero, aquelas que devemos aprender a lidar quando crianças.

Lúcia Machado de Almeida - O escaravelho do diabo (1982-1992, Editora Ática, Coleção Vaga-lume)

Sobre o “hoje” literatura nacional, tenho a impressão que vivemos um momento muito bacana. Tem para todos os gostos. A cada dia leio o nome de um autor que desconhecia, uma série que nunca ouvira falar.

Quer terror? Temos o André Vianco e sua trupe, atualmente publicados pela Editora Novo Século, que tem investido bem nesse ramo.

Esse ano fui oficialmente apresentada ao texto do Daniel Galera, que adorei, como podem conferir aqui.

Outro dia minha mãe anotou o nome de uma autora, Ana Paula Maia, que segundo ela eu iria gostar (Talvez pelo fato dela ser influenciada por Tarantino, vou descobri e conto por aqui) e há algumas semanas li uma reportagem que citava o até então desconhecido (para mim) Raphael Montes como um dos grandes nomes da literatura policial nacional, o que pretendo conferir em breve também.

Mas também sei a dificuldade que muitos autores tem de se veem publicados e reconhecidos. É um ramo cruel!

1233680225_j-borges-mo-a-roubada-48x66cm-xilo_(500x350)E para fechar, outra faceta da literatura nacional que muitas das vezes é deixada em segundo plano, a Literatura de Cordel. Tão linda! Tão nossa! A gravura ao lado, por exemplo, é de autoria do pernambucano José Francisco Borges. E ainda achei um site que disponibiliza diversas histórias para download.

Segue o link: http://canaldoensino.com.br/blog/40-livros-gratis-de-literatura-de-cordel .

E viva a literatura nacional! ( E por livros nacionais mais baratos tb!)