Bienal 2013, eu fui!

Dia 07 de setembro, dia da independência e de visitar a Bienal, que este ano realiza sua 30ª edição. Para os aficionados por livros e leitura esse evento é um verdadeiro parque de diversões, e um ótimo motivo para voltar a escrever no blog.

Para que o parque de diversões não se transformasse num parque dos horrores devido aos problemas recorrentes de engarrafamentos e super lotação que ouvi, o despertador foi colocado para as 07:30 da manhã e pouco depois das 09hs já estávamos numa fila, uma grande fila para um evento cujos portões só seriam abertos as 10hs. Foi crucial, pois em parte por falta de organização, e em parte pela falta de educação de algumas pessoas, quando o evento é aberto, a fila deixa de fazer de sentido, mas conseguimos!
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De mapinha em mãos, sigam-me os bons!
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A ideia era ir direto para o Pavilhão Verde e voltar, já em direção à saída, aproveitando assim que o espaço ainda não estava tomando. Entretanto… ao olhar o Pavilhão Azul…não resistimos a uma paradinha, e acho que entenderão o porquê.

Primeiros passos dados e vejo à minha frente Ezio, em tamanho real, no estande da Editora Record. Ezio é o personagem principal da série Assassin’s Creed, romance adaptado da franquia de jogos de mesmo nome. É um tanto atípico um jogo de vídeo game dar origem a um livro tão interessante, talvez isso se deva ao fato de ter sido escrito por um historiador, que foi o que me levou a ler o livro (confesso que a história se passar na Florença renascentista também contribuiu um pouquinho).

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Foto tirada. Hora de ir ao estande da Saraiva dar o check em uma encomenda. Uma sacola de lona super prática, uma graça e melhor, por R$5,99. Como não amar?

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Não muito distante, o tão famoso trono de Game of Thrones nos esperava no estante da Leya, assim como uma filinha básica.
GOT
Rumo ao Pavilhão Verde.
Uma passadinha no estande da Martin Claret me rendeu seis livros em dois. Por R$ 34,90 três clássicos do terror num único tomo. Frankentein, O Médico e o Monstro e Drácula. E como recordar é viver, por mais R$ 34,90 tenho mais uma edição de Jane Austen, contendo Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Persuasão. Como eu disse, 6 em 2!

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E agora uma coisa que não estava nos meus planos. No estande da Novo Século não resisti e fiquei namorando as novas edições de Os Sete e Sétimo, do André Vianco. O papa da literatura vampiresca nacional. As novas capas estão lindas!
Nesse ínterim, uma mulher se aproxima para apresentar o livro de seu marido, lançamento da editora. Uma história de vampiros que tem a cidade do Rio como cenário. Foi uma ótima troca de idéias sobre literatura e vampiros. Ao fim, lá estava eu com Demônios da Noite de M.K.Takenaka, com direito a autógrafo e botón; o último lançamento do Vianco, A noite Maldita; e completando minha coleção, o volume I do Turno da Noite (até hoje não li, pois só tinha os volumes II e III). Os três por R$ 100,00 (já com desconto).
Agora era hora de voltar para o Pavilhão Azul e passar em outras editoras, como a Cia das Letras. Eu fui muito inocente. A essa altura o lugar já estava tomado de gente. Filas e mais filas para entrar nos estandes e para pagar. Impossível procurar qualquer coisa para comprar.
Era hora de ir.

O saldo foi super positivo, mas em parte porque chegamos cedo. Fica a dica e até 2015!

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Orgulho e Preconceito

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Essas edições de bolso da Saraiva são uma tentação. Ótimos títulos, preços super acessíveis e do tamanho certo; cabem em praticamente qualquer bolsa. A reunião desses elementos só pode resultar em uma coisa: um livro a mais na estante e menos dinheiro no bolso, mas vale a pena.

A leitura da vez foi Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Um romance passado e escrito na Inglaterra do início do século XIX, longe da efervescente Londres da Revolução Industrial, tendo como cenário, o interior, realidade da autora, oriunda da aristocracia rural inglesa.

O enredo trata, obviamente, de orgulho e preconceito, com pitadas de amor e intriga. Gira em torno de Elizabeth Bennet, conhecida na intimidade como Lizzy, definitivamente a heroína do livro;  e é sob o ponto de vista desta que a história se desenrola.

O cotidiano de Elizabeth envolvia essencialmente sua família, composta por sua mãe, Miss Bennet, uma figuraça; o objetivo de sua vida era casar as filhas, não importando como e com quem, desde que este possuísse boa renda; seu pai, Mr. Bennet, que não apoiava muito a atitude da esposa em caçar maridos, ato este que ultrapassava o ridículo, preferia a companhia dos livros; e suas irmãs, das quais se destaca, em toda sua inocência, a mais velha, Jane.

Além dos acima, temos como personagens principais, Mr. Bingley, pelo qual Jane se apaixona, tendo a recíproca sido verdadeira; a irmã deste, Miss Bingley, uma mulher inserida em seu tempo e em todos os orgulhos e preconceitos que este podia introjetar; Mr.Darcy, o orgulho em pessoa, mas que apesar de tudo e todos, principalmente de si mesmo, é despertado pelo interesse em Elizabeth, assim como o desperta; e a tia deste gentleman, Lady Chaterine, intensamente apegada a seu nobre sangue.

Com ironia peculiar e sem se perder em intensas descrições de ambientes, que em alguns autores nos desprende da história, a autora se lança no psicológico dos personagens, seus sentimentos e dúvidas; não apenas expõe, mas critica, questiona os costumes aristocráticos, as regras de etiqueta, os valores e preconceitos que uma sociedade estratificada pode gerar.

Dentre todos os questionamentos, o que mais chamou minha atenção foi sobre o papel da mulher numa sociedade na qual esta era avaliada exclusivamente pelo valor de seu dote e não por seu espírito. Fica claro nos diálogos a crítica direcionada a educação da mulher e a super valorização dos “talentos” fúteis, como bordar e tocar piano. Inclusive, separei um trecho em que Miss Bingley exalta as qualidades que a mulher ideal deve possuir; é perfeito para abordar este tema, e também para deixar um gostinho.

Nenhuma mulher pode ser realmente considerada completa se não se elevar muito acima da média. Uma mulher deve conhecer bem a música, deve saber cantar, desenhar, dançar e falar as línguas modernas a fim de merecer esse qualificativo, e além disso, para mão merecer senão pela metade, é preciso que possua um certo quê em sua maneira de andar, o tom da voz e no modo de exprimir-se.

 Obviamente, este comentário foi seguido por um deboche de Elizabeth, que em toda sua atitude e humor irônico, duvida, e muito, da existência de tal pessoa.

De forma resumida, a história é sobre uma família não muito abastada, na qual a filha mais velha, Jane, se apaixona por um homem de posição social superior, Mr. Bingley, não que isto o afastasse. Entretanto, este se deixa afastar por preconceitos dos que o cercam. Paralelamente, Elizabeth, irmã de Jane, com o olhar mais critico de todas, olhar este que muitas vezes a cega, se vê envolvida, a contra gosto de seus próprios preconceitos, com o amigo do namorado da irmã, Mr. Darcy, que apesar de lutar, com todas as armas que o orgulho de sua posição o provia, contra o sentimento que brotava dentro de si em relação à Elizabeth, termina por aceitar este amor e se declara. A história é repleta de encontros e desencontros, ocasionados por uma cegueira moral que blindava ambos os lados, mas agraciados com um final feliz, tanto para Jane, como, principalmente, para Elizabeth.

Um clássico é um clássico não só pela trama, explicada resumidamente acima, mas sim pela forma como ela é contada. Jane consegue construir diálogos que retratam uma sociedade de época, uma época que já passou, mas ao mesmo tempo, o livro permanece atual. Com algumas adaptações, essa historia poderia estar acontecendo ao nosso lado. Por exemplo, Miss Bingley, que se encaixaria perfeitamente como uma típica burguesinha, preocupada com status social e com o que os outros pensam a seu respeito, se anulando totalmente pra se encaixar; quem não conhece pessoas assim?

Indo além, me atrevo a dizer que os estereótipos apenas mudaram. Hoje, para ser considerada moderna, a mulher tem que trabalhar, cuidar dos filhos, e do marido, dirigir, falar inglês, estudar, sair com as amigas,e acima de tudo, estar sempre linda e feliz, estampando um largo sorriso no rosto. Trocaram-se as amarras em prol de uma liberdade inexistente. Liberdade é opção e não imposição.

Enfim, é impressionante como um romance do século XIX tenha me suscitado tantas questões atuais. Fica a recomendação de leitura, lembrando que existem várias versões dele para a telona, a mais recente de 2005, com Keira Knighttley no papel de Elizabeth.