O Senhor dos Anéis : 60 anos

Como bem lembrando pela galera do Tolkien Brasil, há exatos 60 anos era publicado pela primeira vez O Senhor dos Anéis, o livro que fez com que muitos se apaixonassem por literatura fantástica, como a que vos escreve.

Em homenagem a data transcreverei uma passagem da edição que tenho aqui em casa, um volume único já amarelado, mas que está em posição de destaque na minha estante.

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Acabei escolhendo a página 60 em razão da data.

Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Frodo podia ouvir as batidas de seu coração. Mesmo lá fora tudo parecia quieto. Nenhum som da tesoura de Sam podia ser ouvido.

– Sim, a Mordor – disse Gandalf. – Infelizmente, Mordor atrai todas as coisas malignas, e o Poder Escuro estava usando todas as forças para reuni-las ali. O Anel do Inimigo também cumpriria esse papel, fazendo Gollum ficar atento aos chamados. E todas as pessoas estavam na época sussurrando sobre a nova Sombra no Sul, e sobre o ódio pelo Oeste. Ali estavam seus novos e bons amigos, que o ajudariam em sua vingança.

Obrigado Professor!

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O Hobbit

Dia desses me permiti um Milk shake de ovomaltine; saí da minha pseudo dieta, abafa! Como de praxe, carregava a tira colo meu livro do dia (Agora, tal como o anti-rugas da Avon, tenho a leitura do dia e a da noite…rs) e o apoiei sobre o balcão para fazer meu pedido. Neste instante, a atendente fitou seus olhos no “O Hobbit”, com sua capa que mescla um marrom quase preto e um âmbar brilhante, que nada mais é que um enorme dragão repousado sobre pequenas peças douradas. Ela não demorou a perguntar – É Bom? – , estava apaixonada pela capa. Na hora respondi que sim e desatei a falar sobre o livro, o autor, inclusive a questionei se ela havia lido “Senhor dos Anéis”. Diante da negativa, refiz a pergunta – Viu o filme? -, e aí sim, sua cabeça balançou positivamente. Empolgada, a incentivei a ler o livro, mas me deparei com um olhar duvidoso, desconfiado. Nesse ínterim, soltei – Foi R$9,90 em uma promoção na Saraiva –, pronto, foram as palavras mágicas para tirar um sorriso surpreso, que foram seguidos das seguintes palavras – Sério? Achei que fosse, sei lá, uns R$ 100,00 – . Dei minhas dicas de sites com promoções constantes de livros, enquanto a fila começava a crescer às minhas costas. Peguei minhas “mil calorias” e segui caminho.

Voltei refletido sobre aquele rápido diálogo e ficou clara a distância da maioria da população dos livros. Aquela menina, apesar de ter se encantado com a capa do livro e afirmar gostar de ler, talvez nem ouse entrar em uma livraria, por achar algo inacessível e é, logo para as pessoas que mais precisam expandir suas mentes com o delicioso hábito da leitura.

Dito isso, vamos ao que interessa. Mas antes, devo avisar aos navegantes, não resisti aos spoilers.

Já está claro sobre qual livro é este post, “O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien. Leitura indispensável para quem ama, ou quer adentrar no mundo da literatura fantástica.

Li “Senhor dos Anéis” ainda adolescente, presente de meu pai. O Volume único, aproximadamente mil e duzentas páginas, lidas em alguns dias, e noites também. Ok, pulei algumas partes em “As Duas Torres”, os diálogos entre as árvores mostraram-se longos demais; um detalhe em uma obra fenomenal. Depois disso, vários livros foram lidos e a história do tio de Frodo, o Sr. Bilbo Bolseiro, foi sendo adiada, até que soube do lançamento do filme e disse a mim mesma “Chegou a hora”. De posse do livro, me aventurei junto aos personagens pelas terras mágicas de Tolkien.

Já nas primeiras páginas me vi na mesma toca hobbit onde toda minha paixão pela fantasia começou, anos atrás. Logo ela estava repleta de anões, exatamente 13, além de Gandalf, fazendo uma grande festa, que estava mais para uma enorme bagunça perante os olhos do Sr. Bolseiro, que não havia sido convidado. Ali se traçaram as primeiras linhas da aventura que começaria com o avanço pelas Terras Solitárias e o infeliz encontro com os trolls, da qual quase não saem vivos, ameaça que se tornou recorrente ao longo da história.

Em busca do tesouro perdido dos anões, abocanhado por Smaug, o dragão da capa do livro, e questionando a utilidade do hobbit ladrão, status que o próprio desconhecia de onde viera, se embrenharam nas Terras Ermas, tendo como último porto seguro a cidade élfica de Valfenda, cuja áurea mágica acalmou o corpo e alma de nossos aventureiros. Mas este era só o início da jornada, e sua estadia não se prolongou, precisavam avançar em direção às Montanhas Sombrias. A ideia era escalá-la, mas infelizmente os orcs não se importaram com os planos da tropa e surpreendendo-os, abduziram nossos pobres amigos montanha adentro. Na confusão, o Sr. Bolseiro viu-se só, no completo breu, que para nossa alegria, fez com que se deparasse com o famoso anel dourado, impulsivamente colocado no bolso. Mal sabia o hobbit que esta jóia salvaria sua pele nesta jornada, posso dizer que em mais de uma oportunidade.

Após uma intensa luta com os orcs e uma fuga espetacular de Bilbo, os companheiros de aventura se reencontraram, livres das garras da montanha e com ar puro entrando em seus pulmões novamente. Mas em terras sombrias não há trégua e mal tendo escapado da última enrascada, se viram cercados por lobos vorazes, os wargs, que em parceria com os orcs, que seguiram em seu encalço, quase conseguiram encerrar a viagem de nossos amigos antes do tempo. Com a ajuda das águias da montanha, enganaram a morte mais uma vez e puderam continuar sua saga.

O próximo passo era em direção a Floresta das Trevas, um verdadeiro labirinto, do qual só sairiam caso se mantivessem na trilha que a cruzava, promessa, que apesar dos avisos, os intrusos não conseguiram cumprir, e mais uma vez, os persistentes anões, na companhia de Bilbo, se depararam com os ardis da morte. Na escuridão da densa floresta novos personagens entraram em cena, os elfos da floresta, aparentemente não tão amigáveis como os de Valfenda, atrasaram a viagem de nossos aventureiros, que se arriscaram em uma fuga mirabolante pelo Rio da Floresta, que desembocava em Esgaroth, uma antes agitada e próspera cidade habitada por homens, empobrecida pelo abandono destas terras agora cinzentas, frente a chegada do temido dragão. De lá se via a Montanha Solitária, ponto final desta epopéia e antiga morada dos anões protagonistas desta história, mas que no exato momento estava sobre as asas de Smaug, quase um mito entre os habitantes da cidade que insistia em existir.

Já no domínio de Smaug, nossos amigos se depararam com as terras antes férteis e verdes, sucumbidas diante do bafo do dragão, um cenário perfeito para os perigos que estavam por vir. Medo e coragem caminharam juntos nesta etapa da aventura, principalmente quando se trata de Bilbo, que finalmente fez jus ao título que o acompanhava, mas suas estripulias não passaram desapercebidas aos olhos vermelhos do dragão, que logo se empenhou em caçá-los, caçada esta que não terminou bem, pelo menos para Smaug, que pereceu,mas não em mãos de anões ou hobbits.

Sem dragão e com tesouro, tudo parecia resolvido, mas o ouro também tem suas artimanhas e a ganância levou os personagens desta história a uma iminente batalha, interrompida apenas quando um inimigo comum também mostrou suas feias faces para reclamar o tesouro desprotegido. Sangue e suor foram despejados em terras já devastadas e nem todos que começaram esta saga a terminaram de pé, mas enfim, fez-se paz e o Sr. Bolseiro, que já não era mais o mesmo hobbit que deixara sua confortável toca meses atrás, pode retornar a sua farta dispensa.

Todos sabem que este não é o final da história, mas apenas o começo.

A quem interessar, segue o link com o trailer do filme.