Serena

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Com um início que nos diz tudo e não nos diz nada, Serena, do escritor inglês Ian McEwan, se mostrou uma ótima surpresa. E por que digo isso? Pois não sabia da existência deste livro até decidi dar de presente à minha mãe outro título deste autor, Reparação (Ela amou o filme e o livro!). Enquanto o buscava, me deparei com a história que compartilho agora.

Lida a sinopse, logo me interessei. E não havia como ser diferente. Uma mulher linda e inteligente que na década de 70 se torna espiã do Serviço de Segurança britânico. Mas aos poucos se descobre que não há nada de glamouroso nisso.

A vida, teoricamente perfeita, da filha de um conceituado bispo anglicano apaixonada por literatura, não passa incólume às transformações das décadas de 60 e 70. A crise econômica e o terrorismo ganham crescente espaço nas discussões cotidianas. Isso sem falarmos do movimento hippie, cuja experiência de Serena, vivida através de sua irmã, não é das mais positivas.

Formada em matemática, a contragosto e sem louvor, na faculdade de Cambridge, Serena havia se envolvido com um homem mais velho e influente, que mesmo não estando presente em boa parte de sua vida, termina por influenciá-la para sempre ao moldá-la para trabalhar no MI5, um braço do Serviço de Segurança britânico.

Abandonada e ressentida, ela busca seu lugar na “guerra contra a mente totalitária”, mas dentro da Inteligência Britânica se vê envolta pela burocracia estatal. Papéis e mais papéis, retratando velhas e novas batalhas. Entre dossiês soviéticos e agentes infiltrados no IRA, ela descobre na pele os problemas que um “casinho” com um colega de trabalho pode trazer, a discriminação sexual, e o consequente baixo salário.

Até que Serena é convocada para participar de uma modalidade mais discreta de batalha, a cultural. Uma guerra ideológica travada nas entrelinhas. Seu papel? Agenciar um escritor, Thomas Haley, para que ele, involuntariamente, tome partido nessa guerra travada através da caneta e do papel. Mas antes mesmo de conhecê-lo, ela se deslumbra com o criador que pode estar por trás da criatura.

O interesse revela-se mútuo, e mesmo quebrando todas as regras ela se envolve como nunca com seu objeto de trabalho. O relacionamento proibido acaba por trazer toda uma bagagem de mentiras, que quando reveladas trarão a desgraça e a redenção a esse inusitado casal.

Ao fim, a história te laça. Sem perceber, quando já não faltam muitas páginas para o término, suas pernas enfraquecem e ao ler as últimas linhas você está de joelhos, aos pés da história, completamente apaixonado pelo livro.

Foi uma daquelas histórias com o qual fiquei convivendo mesmo depois do livro voltar para a estante. Mas infelizmente, não poderei contar exatamente o porquê. Seria spolier demais!

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