Sonho Febril

Desde que o mundo é mundo os sonhos tem papel crucial nas nossas vidas, afinal, eles são capazes de nos mover, fazem com que avancemos. Muitos, inclusive, são capazes de quase tudo para torná-los realidade. E com Abner Marsh, um conhecido e respeitado capitão de barcos a vapor, quando esses dominavam os grandiosos rios dos EUA no século XIX, não foi diferente ao deparar-se com a proposta irrecusável de construir o maior e mais veloz barco que o Rio Mississipi já vira.

A sociedade era proposta por um aristocrata excêntrico chamado Joshua York, que entraria com o capital, enquanto Abner teria a experiência e os conhecimentos que só um homem do rio é capaz de possuir. A única coisa que aquele homem extremamente pálido e de olhos cinzas e intensos exigia era que seus ~ estranhos ~ hábitos fossem respeitados. Um deles? Não sair à luz do dia.

Diante das intempéries climáticas que terminaram por arrasar sua frota, Abner ficara desconfiado com o interesse de Joshua pela sua Companhia, afinal, estava praticamente falido, mas como recusar uma oportunidade daquelas? E assim, o Fevre Dream tornou-se real.

Contudo, com o passar das semanas, ficou claro que os planos de Joshua para o magnífico e luxuoso barco nem sempre seriam os mesmos de Abner, cuja desconfiança e desconforto pelos estranhos hábitos noturnos de seu sócio e amigos crescia junto com o avançar pelo rio. Joshua exigia paradas nada estratégicas, atrasando o Fevre Dream, cujo nome começava a circular pelos portos, mas ao contrário do que Abner sonhara, não era devido à sua rapidez e elegância, mas sim em razão dos boatos crescentes sobre seu sombrio parceiro.

Logo, mortes também começaram a acompanhar o trajeto do vapor e confrontar Joshua tornou-se a única opção de Abner, que acima de tudo prezava a sinceridade e a fidelidade, valores que seriam testados quando ele enfrentasse a inacreditável verdade, Joshua era um vampiro.

Contudo, não vá esperando mais do mesmo com relação aos vampiros, pois Tio George criou uma versão bem original do clássico, com regras próprias e muitas, inclusive, diferentes do que estamos acostumados. O autor também caprichou nas descrições, criando uma atmosfera enfumaçada e sombria ao passo que história caminhava mais e mais na escuridão da noite e do rio, além da construção dos personagens, na qual trabalha, algo que ele faz maravilhosamente bem, a dualidade presente nas pessoas e nesse caso, nos vampiros também.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro.

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O Cavaleiro dos Sete Reinos

O Cavaleiro dos Sete Reinos

O Cavaleiro dos Sete Reinos é, na verdade, uma reunião de contos, que claramente inspirados nas histórias e lendas de cavalaria da Idade Média, trazem as aventuras e peripécias de Dunk, um cavaleiro andante, e seu inusitado escudeiro, Egg, noventa anos antes de A Guerra dos Tronos.

Ambos têm papéis de destaque na história dos Sete Reinos, e aqueles que já enfrentaram as milhares de páginas das Crônicas de Gelo e Fogo tem uma noção disso, mas como todo relacionamento, há um início, e com a amizade desses dois não foi diferente, salvo o fato de George R. R. Martin ter resolvido compartilhá-lo conosco.

Em O Cavaleiro Andante, a primeira história, o recém nomeado cavaleiro Sor Duncan, o Alto, Dunk para os íntimos, decide iniciar suas solitárias andanças em um torneio, mas não sem antes esbarrar com um menino careca chamado Egg, que insiste em ser seu escudeiro. Contudo, sua nobreza, não de sangue, mas de atitude, o coloca em uma grande enrascada, que além de pôr em risco sua própria vida, é capaz de levar outras consigo.

Após o desfecho do torneio de Vaufreixo, e já de posse da informação de quem realmente seu escudeiro é, em A Espada Juramentada, Dunk e Egg estão prestando seus serviços a Sor Eustace Osgrey, um velho senhor maltratado pela própria história, através do qual ficamos sabendo um pouco mais sobre a Rebelião BlackFryre, citada nas Crônicas. E como toda aventura, temos mais uma complicação no caminho, e mais um combate pela frente.

Na terceira e última história, O Cavaleiro Misterioso, o objetivo da dupla é chegar ao norte para ver a Muralha, e tentar servir à casa Stark. Entretanto, um torneio durante uma festa de casamento, cujo prêmio é nada mais, nada menos, que um ovo de dragão, os desvia de seu destino e, novamente, eles se veem em uma confusão, muito maior que eles dois dessa vez.

Uma das coisas mais interessantes, além das histórias em si, é que através delas “pescamos” mais informações sobre Westeros, principalmente sobre a Casa Targaryen, inclusive, angariando elementos para reforçar o afastamento de algumas lendas sobre o sangue do dragão. Também temos uma ideia do que é um verão nesse estranho continente ( a não ser que você seja do Rio de Janeiro!rs), pois nas Crônicas vivemos sobre as amenidades (apenas climáticas, diga-se de passagem) de um gostoso outono, até nos depararmos com o temido inverno.

Se é uma boa porta de entrada para o mundo de George R.R.Martin, isso irá depender de cada um. A narrativa é mais simples, menor e bem menos complexa do que nas Crônicas, o que pode levar alguns a não se interessarem tanto por esse mundo logo de início, enquanto para quem terminou a leitura dos cinco livros já publicados, tais histórias servem de alento durante a longa espera pelos próximos volumes, e uma forma de saber mais sobre esse universo.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro

Sobre a questão da mulher em Game Of Thrones

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Temos mais uma cena “polêmica” em Game Of Thrones envolvendo violência contra a mulher. E uma vez mais as discussões nem sempre chegam ao núcleo do problema. É mais que “Livro x Série”. Quem me conhece sabe que não sou xiita no quesito adaptações, o próprio nome já diz, não será igual aos livros, não deve ser e não pode ser. Contudo, defendo que a essência da obra literária deva permanecer, e depois de emendar uma temporada na outra de Game Of Thrones, como bem sabem, é impossível não perceber que algumas adaptações não foram bem sucedidas, como Dorne, quase risível.

A retirada de personagens interessantes, principalmente mulheres, também não foi difícil de notar. O cerne de algumas personagens também foi alterado, suas trajetórias, sendo a violência contra a mulher, em grande parte não ocorrida nos livros, utilizada em algumas ocasiões para vitimizar ao invés de empoderar. Será que chocar o público e polemizar é mais importante do que a preocupação e cuidado em adaptar uma obra que retrata tão bem o papel da mulher, mesmo dentro das adversidades que o próprio universo proporciona? Não vou ficar aqui discorrendo sobre o assunto, deixarei alguns links da página Game Of Thrones BR, cuja leitura, não apenas do texto em si, mas dos comentários, acredito que contribuirá para que tenham uma opinião mais fundamentada. Concordando ou não. O importante é não apelar para “mimi” “recalque” , pois nem tudo, na verdade, a grande maioria das coisas na vida não se resumem à essas duas expressões. Valendo sempre lembrar que entretenimento não é apenas distração,  também é meio de perpetuar conceitos, culturas e ideais de uma sociedade.

E já respondendo: Não vou deixar de assistir a série, o que não me impede de criticá-la/questioná-la quando achar que devo.

Game Of Thrones #Especial

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~O texto possui informações sobre o enredo~

Fui resistente à serie, inicialmente pelo menos. A velha mania de querer ler antes de assistir à adaptação, não que eu seja uma xiita no assunto, pelo contrário. Não entôo o mantra “o livro é sempre melhor”, sempre é uma palavra muito forte e existem casos em que tal afirmativa não é verdadeira. Também acredito que mudanças são importantes, até a inserção de alguns elementos pode agregar valor à história, deixar a coisa mais “redonda” para o público, como foi o caso do segundo filme da Trilogia Divergente. Contudo, em histórias tão complexas como As Crônicas de Gelo e Fogo mudanças são imprescindíveis tendo em vista que os livros possuem em média mais de 800 páginas, enquanto as temporadas são compostas de 10 episódios, com pouco mais de 50 minutos cada. Agora, se as alterações agradaram aos leitores, partindo do pressuposto de que só quem leu pode fazer tal comparação, é algo bem pessoal.

Quando assisti à primeira temporada de Game Of Thrones parecia aos meus olhos uma colcha de retalhos, um Frankenstein do Livro I, pedaços de histórias mais amplas. Engraçado como hoje percebo o quanto ela foi mais fiel ao livro do que outras temporadas. Depois disso, parei de acompanhar, continuei apenas com a leitura, como bem sabem, e só após o término do quinto livro voltei lá para a segunda temporada, de onde parei.

Em torno de duas semanas se passaram, e com tudo devidamente assistido, posso dizer: Quantas mudanças amigos! Algumas acertaram em cheio, outras eu realmente não alcancei o objetivo. Um ponto delicado de observação foi a retiradas de certos diálogos que alteram questões tênues do enredo, principalmente as relações entre determinados personagens.

GOT_Personagens

Um dos acertos, sem dúvida, foi o desenvolvimento de Sansa. Na altura em que estamos ela é bem mais forte na série. Enquanto a versão literária chorava por ter presenciado a morte da tia (que ocorreu em circunstâncias um tanto quanto diferentes) e imaginava o problema que seria mentir aos Lordes do Vale, seu eu televisivo foi lá e contou-lhes a verdade, pelo menos a parte que lhe interessava, coisa que nunca ocorreu no livro, e a meu ver, ficou melhor. Os produtores também foram felizes quando se trata de Daenerys, pois ficaram com as melhores partes, aquelas com mais ação e desenrolar, enquanto o livro, além delas, tem uma enormidade de nomes praticamente impronunciáveis e todo o mimimi.

Entretanto, como já dito, algumas mudanças me foram estranhas, como a inserção dos irmãos Reed no meio da floresta, quando eles poderiam, assim como no livro, serem os convidados dos Stark desde o início. Entendi menos ainda terem matado Jojen (algo que ainda não ocorreu nos livros, apesar dos sinais de que é inevitável), assim como os colocarem prisioneiros dos ex-patrulheiros que assassinaram Mormont e se apossaram da moradia de Craster. Para sermos sinceros, no quesito saga Brandon Stark tivemos muita coisa diferente. A forma como ele e Rickon saem de Winterfell após o incêndio e se separam, o fato de para todo o Westeros (com exceção dos Bolton, mas só ficamos sabendo disso no quinto livro) eles estarem realmente mortos, tal notícia, inclusive, foi crucial na decisão de Catelyn liberar Jamie na esperança de conseguir as filhas de volta. O caminho percorrido pro Brandon até o Corvo de Três Olhos é mais vagarosa e cheia de percalços, mas a série acertou na essência. Contudo, senti falta do Mãos Frias, um personagem misterioso e com uma aparente função importante, mas ignorado pela série, como outros.

Lannister

Também não vi, particularmente, necessidade de transformar Joffrey em um completo sádico, ele já era um menino cruel e mimado o suficiente para que o quiséssemos ver pelas costas. Contudo, sua mãe, Cersei, é exatamente igual no livro, mesmo com passagens retiradas aqui e ali, sua obsessão pelo poder é fielmente retratada. Falando em Lannister, Tyrion e Jamie foram ganhando minha simpatia ao longo da história e por isso, apesar de sentir falta da ultima conversa que tiveram, na qual o Comandante da Guarda Real abre o jogo sobe quem era realmente Tysha, a primeira mulher do nosso querido anão, fiquei aliviada pela relação dos dois ~ainda~ estar inabalada, porém, foi a declaração de que ela não era prostituta que levou Tyrion a ir atrás do pai, e a confirmação pelo mesmo, acrescentado pela cruel e irônica resposta de Tywin ao ser arguido sobre o paradeiro dela ~ para onde quer que as putas vão ~ que o levou a disparar a besta, assassinando o temível leão.

Já que fomos até Porto Real, vale dizer que alguns personagens que sequer tem voz nos livros cresceram na série, como é o caso de Margaery, cujas ambições podemos apenas deduzir, assim como algumas ações da Casa Tyrell, mas que na HBO são bem concretas.

jon_snow

Em comum, livro e série têm nas partes da trama dedicadas à Muralha, e ao verdadeiro norte, as melhores, e minhas queridas. A Batalha de Castelo Negro foi sensacional em ambos e Jon, como é sabido, é meu preferido. Se dependesse de mim, colocava ele sentado no Trono de Ferro, lhe dava um dragão e pronto. Saga encerrada! rs

Contudo, o que acho ou deixo de achar pouco importa para George R. R. Martin, que até a presente data não fez menção em publicar a continuação, Os Ventos de Inverno, causando uma grande polêmica entre os fãs, pois enquanto aguardamos o livro, a série avança normalmente na TV, e como já foi falado na mídia, o show continuará com ou sem livro. Desrespeito ao leitor? Estratégia de Marketing? Não sei. Apenas posso imaginar que a coisa cresceu a tal ponto que talvez a série tenha passado a ser prioridade, quem sabe até para o autor, que tem participação ativa no desenvolvimento da trama para a TV.

CS 67 26th October 2010

Até onde se tem notícia Martin está terminando o Livro Seis, e já declarou a vontade de levá-lo ao público antes da 6a temporada de GOT, o que seria ótimo, mas tenho minhas teorias, que envolvem, entre outras coisas, a desconfiança de que a história já está terminada, talvez precisando de uma revisão aqui e um ajuste ali, mas pronta. Talvez a vontade de prolongar algo que gera tamanha comoção e dinheiro seja grande demais.

A verdade é que fã sempre dá um jeito. Há quem esteja se recusando a acompanhar a série até o lançamento do livro, aqueles que não se importam e até quem se importe, mas vai assistir da mesma forma (me incluo nesse grupo) e a hora que o livro sair, saiu, o que não nos impede de protestar: Libera o livro Tio George!

As Crônicas de Gelo e Fogo #Especial

As Crônicas de Gelo e Fogo

Foi mais demorado do que programei, mas consegui ler os cinco livros de As Crônicas de Gelo e Fogo antes da estreia da 5a temporada da série Game of Thrones, que era, ao fim, o objetivo. Quase um ano de leituras angustiantes, por vezes arrastadas, e em vários momentos eletrizantes, mas por enquanto, acabou. Contudo, sinto que com o início da próxima temporada no domingo, 12 de abril, um especial sobre a saga seria interessante. Relembrar o que foi lido e tecer alguns comentários sobre a série, já que também a assisti nesse meio tempo, mas esse é um papo para o outro post. Vamos pelo início de tudo: Os Livros.

Livro 1: A Guerra dos Tronos.

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Partindo de uma inspiração claramente medieval, e nada inocente, George R. R. Martin constrói um mundo fantástico e épico, mas absurdamente humano ao mesmo tempo. Intrigas, ódio, traição, sexo e violência se destacam em um local onde alianças surgem a partir de trocas de favores e casamentos arranjados, onde tronos são usurpados e servos traem seus reis. A forma como a história é narrada, com cada capítulo dedicado ao ponto de vista e ao que se passa com determinados personagens, nos deixa ainda mais próximos daqueles que irão redefinir, à base de muito sangue, a história do fictício continente de Westeros.

Resenha completa: http://goo.gl/Q4fmkv

Livro II: A Fúria dos Reis.

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Um ditado popular nacional poderia resumir o que se passa em A Fúria dos Reis: “É muito cacique para pouco índio”. São muitas coroas para pouco reino e Westeros colhe os amargos frutos que só uma guerra civil pode oferecer. Miséria e fome se alternam nessas páginas, mas a magia também se faz presente, afinal, dragões espreitam no além mar e o fogo traz ambiciosas promessas. Também é o livro no qual começamos a perceber que Martin tem a capacidade de ressuscitar aqueles considerados mortos.

Resenha completa: http://goo.gl/MtnhQd

Livro III: A Tormenta de Espadas.

A Tormenta de Espadas

O maior volume da saga é um divisor de águas e a consagração de Martin. É incrível seu poder de dar não apenas vida, mas pontos de vista a tantos personagens, fazendo, inclusive, com que tenhamos sentimentos conflituosos com relação a alguns deles. Vamos do ódio à empatia, e até à compaixão, por um vilão que até então era tido como cruel e insensível. Assistimos ao mais racional de todos agir por puro ódio e vingança. E aquele que parecia invencível perde tudo em uma decisão equivocada, mostrando o jovem que ainda era. Outros apenas mantém seu padrão de comportamento gerador de ódio entre os leitores, apenas justificando nossa já existente sede por seu sangue. Aqui, personagens que tiveram capítulos arrastados no segundo livro tem mais destaque, como a Mãe dos Dragões, que em apenas uma palavra me conquistou. Uma parte afastada e fria de Westeros também ganha bastante atenção, A Muralha e as terras para lá dela , que através dos olhares do bastardo mais amado, Jon Snow, e do gordinho mais sortudo e simpático, Samwell Tarly, trazem os capítulos mais fantásticos, pois é lá que o inverno chega primeiro, e onde os mortos não estão onde deveriam.

Resenha completa: http://goo.gl/8HRBsj

Livro IV: O Festim Dos Corvos

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O mais curto, e ao mesmo tempo, mais longo dos livros da série tem a missão de dar continuidade ao terceiro e épico volume, que deixa o leitor sedento, ansioso pelo desenrolar de algumas histórias. Contudo, as páginas passam, os capítulos se arrastam, nomes se repetem e nada. Há pouca alternância de personagens diante da enormidade de vozes que a história possui, e aos que foi dada a oportunidade de falar, suas rotinas muitas vezes os consumiam. Alguns nadaram, nadaram e nadaram, para ao fim, morrerem na praia. Tramas, intrigas e maracutaias se desenrolaram, claro, é de GOT que estamos falando, mas outras são apenas mais do mesmo. Vemos pouco, ou melhor, quase nada da Muralha e dragões são só alusões distantes. Na verdade, o foco do livro é em Porto Real e adjacências, como Dorne e as Ilhas de Ferro. Entretanto, como Martin sabia que tal seleção não nos passaria despercebido, concedeu-nos uma explicação, e fez-nos uma promessa.

Resenha completa: http://goo.gl/j8k579

Livro V: A Dança dos Dragões

A Dança dos Dragões

Martin cumpre sua promessa. Dá voz novamente aos personagens que tanto sentimos falta em O Festim dos Corvos, Jon, Arya, Bran, Tyrion e Daenerys, além de outros, como Sor Davos e até Melisandre, fechando lacunas e completando o contexto, do qual só tínhamos parte das informações. Aqui ninguém anda em círculos, todos avançam. Então, um cavaleiro outrora odiado retoma sua fala e percebemos que chegou a hora, aquele momento em que não se sabe de mais nada e tudo pode acontecer, pois a história avança temporalmente após páginas e páginas em que corria paralelamente ao Livro IV. Contudo, não só de personagens antigos o livro se faz, novas e surpreendentes peças também entram no Jogo dos Tronos, assim como algumas ressurgem, pois aparentemente, Tio George também ressuscita os mortos, e vários nessas páginas.

Resenha completa: http://goo.gl/t94bqe

As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões (Livro V)

A Dança dos DragõesQuase um ano após a leitura do Primeiro Livro de As Crônicas de Gelo e Fogo, finalmente terminei o Livro Cinco: A Dança dos Dragões, que ao contrário de seu predecessor, é tão frenético que a partir de um dado momento deixei de lado outras leituras e só conseguia lê-lo, assim como A Tormenta de Espadas.

Sinopse: Daenerys Targaryen governa uma cidade construída sobre o pó e a morte e aprende que conquistar algo é mais fácil do que modificá-lo. A Patrulha do Noite, com seus homens cada vez mais reduzidos, sob o comando de Jon Snow, que precisa tomar decisões cada vez mais difíceis sobre o que fazer em relação ao autoritário Rei Stannis, aos selvagens e aos homens da própria Patrulha. Tyrion precisa pegar em armas para se salvar e descobre que um homem pequeno com um escudo grande pode realmente confundir os inimigos. Enquanto isso, Bran prossegue a sua viagem, enquanto outras acontecem para a Baía dos Escravos e Daenerys percebe que seus inimigos estão cada vez mais numerosos e sedentos para destruí-la. Traições, revelações e um fantasma do passado que volta para assombrar quando menos se espera, todas as criaturas dos Sete Reinos estão prestes a enfrentar fatos inesperados. A escrita eletrizante de George R.R. Martin transporta o leitor de volta para Westeros e o convida a encarar o destino incerto de seus reinos, levando à maior dança de todas.

Martin cumpre sua promessa. Dá voz novamente a personagens que tanto sentimos falta em O Festim dos Corvos, Jon, Arya, Bran, Tyrion e Daenerys, além de outros como Sor Davos e até Melisandre, fechando lacunas e completando o contexto, o qual só tínhamos parte das informações. Então, um cavaleiro outrora odiado retoma sua fala e percebemos que chegou a hora, aquele momento em que não se sabe de mais nada e tudo pode acontecer, pois a história avança temporalmente após páginas e páginas em que corria paralelamente ao Livro IV.

Aqui ninguém anda em círculos, todos avançam. Arya, que dentre os principais é a que tem menos voz, parece finalmente ter encontrado seu caminho, para onde quer que a leve. Bran, após um longo calvário alcança seu destino, mas o que este o reserva, ainda não está claro. Tyrion é Tyrion, com suas pernas curtas e mente gigante vai sobrevivendo, se adaptando e fazendo o que faz de melhor, manipulando as pessoas. Daenerys….Dany, Dany, acho que sempre terei sentimentos ambíguos com relação a ela, por vezes me irrita, às vezes me compadeço de seu enorme coração, mas quando ela age, efetivamente, me surpreende e ganha minha total simpatia, mas não o suficiente para ganhar (ainda) minha torcida. Essa é de Jon Snow, independente do que digam, inclusive, George. No Quinto Livro, não só a Muralha é dele, mas boa parte do enredo. Ele, tal como o pai, buscou fazer o que acreditava ser certo, apesar das incertezas e dúvidas da juventude, e assim como Eddard também foi cercado pelas pessoas erradas, no caso, fracos e supersticiosos, apegados a antigas tradições, tradições que não teriam espaço no inverno, que tal como o lema dos Stark afirma, estava chegando, até que ao fim, chegou. Que as reticências o salvem.

Contudo, não só de personagens antigos o livro se faz, novas e surpreendentes peças também entram no Jogo dos Tronos, assim como algumas ressurgem, pois aparentemente, como já havia dito na resenha do Livro Dois, A Fúria dos Reis , Tio George também ressuscita os mortos, e vários nessas páginas. Sendo assim, guardarei minhas lágrimas para mais tarde, pois tudo pode acontecer quando os ventos do inverno chegarem no aguardado Livro Seis.

As Crônicas de Gelo e Fogo: O Festim dos Corvos (Livro IV)

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Nossa saga particular de leitura continua no quarto livro das Crônicas de Gelo e Fogo. Em O Festim Dos Corvos, o mais curto, e ao mesmo tempo, mais longo dos livros da Saga, o jogo dos tronos continua, alguns participantes derrotados, outros caídos, ainda há os que ensaiam seu triunfal retorno. Muitos planos são construídos, alianças feitas e quebradas, como já é de praxe em Westeros.

Também tornou-se praxe adicionar a sinopse do Volume resenhado, com aquele maroto aviso aos curiosos de que há algumas informações sobre o enredo.

As Crônicas de Gelo” e “Fogo” prosseguem após o violento triunfo dos traidores. Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir como uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real. Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos. Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado comandante da Muralha mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo… Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desvencilhará de tal enredo?

 Ao ler as palavras acima, o leitor pode imaginar ser um livro repleto de ação e reviravoltas, mas engana-se, ou pelo menos não tem as expectativas atendidas. Ao fim do livro III encontramo-nos sedentos, ansiosos pelo desenrolar de algumas histórias, mas as páginas passam, os capítulos se arrastam, nomes se repetem e nada. Há pouca alternância de personagens diante da enormidade de vozes que a história possui, e aos que foi dada a oportunidade de falar, suas rotinas muitas vezes os consumiam. Alguns nadaram, nadaram e nadaram, para ao fim, morrerem na praia. Tramas, intrigas e maracutaias se desenrolaram, claro, é de GOT que estamos falando, mas outras são apenas mais do mesmo. Vemos pouco, ou melhor, quase nada da Muralha e dragões são só alusões distantes. Na verdade, o foco do livro é em Porto Real e adjacências, como Dorne e as Ilhas de Ferro. Entretanto, como Martin sabia que tal seleção não nos passaria despercebido, concedeu-nos uma explicação, e fez-nos uma promessa.

Após assistir algumas cenas do trailer da 5a temporada da série, a qual não acompanho, percebi que o livro IV nada mais será que um episódio, ou breves menções, pois ele, na verdade, poderia ter se desenrolado com metade do número de páginas, mas ser sucinto não é com Tio George.

Aguardem as cenas dos “próximos” capítulos no Livro V.