Soviet Ghosts

Sombrio e assustador. Essas são palavras recorrentes quando a maioria das pessoas se depara com imagens de lugares abandonados. Eu vejo mistério, história e beleza, sim , é possível extrair beleza de lugares deixados para trás.

Os lugares mais fotografados por quem gosta e pode bancar esse gênero estão em países do leste europeu, lugares que antes  integravam a União Soviética, mas que com a queda do muro de Berlim e a consequente desintegração do Bloco foram relegados ao esquecimento, sendo hoje revisitados, com um outro olhar, o artístico.

A mais nova fotógrafa a entrar para esse clube é Rebecca Litchfield, que recentemente lançou o livro Soviet Ghosts, com o registro de sua arriscada aventura por aquelas bandas, pois há perigos que só uma viagem dessas pode oferecer, como uma prisão russa e o fantasma da radiação.

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Eu fiquei maravilhada com as imagens que ela captou e espero que o livro seja publicado aqui no Brasil, mas enquanto isso não acontece, convido vocês a virem comigo dar uma espiada em algumas das fotografias da Rebecca.

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Military Airfield – East Germany. Built in 1870 by Prussia, this military base passed through many hands and regimes before being abandoned in 1994. It was a pilot training airfield during the world war one, rebuilt and used by the Germans before it was taken over by the Soviet army after 1945.

Aeródromo Militar – Alemanha Oriental. Construído em 1870 pela Prússia, esta base militar passou por muitas mãos e regimes antes de ser abandonada em 1994. Era um campo de pouso de treinamento de pilotos durante a Primeira Guerra Mundial, reconstruído e usado pelos alemães antes de ser tomado pelo exército soviético depois de 1945 . (Tradução livre)

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Bulgaria Soviet Friendship Monument – The Soviet monument of friendship stands atop a hill reached by 301 steps. Designed by Kamen Goranov and sculpted by Alyosha Kafedzhiyski and Evgeni Baramov, the monument symbolised the bond between Bulgaria and the USSR.

Monumento da Amizade na Bulgária Soviética – O monumento soviético da amizade fica no topo de uma colina, alcançado por 301 passos. Desenhado por Kamen Goranov e esculpida por Aliocha Kafedzhiyski e Evgeni Baramov, o monumento simboliza a ligação entre Bulgária e a URSS. (Tradução livre)

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Latvia Skrunda – A former Soviet secret town, where a radar station was located. Radar was of great importance to the Soviets as it covered the whole of western Europe, they listened to objects in space and were used as tracking incoming icbms.

Latvia Skrunda – A antiga cidade secreta soviética, onde uma estação de radar foi localizada. Foi de grande importância para os soviéticos, uma vez que abrangia toda a Europa ocidental, eles ouviam os objetos no espaço,  assim como,  para  rastrear  mísseis balísticos intercontinentais. (Tradução livre)

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Uk Foxtrot B-39 U-475 Black Widow Submarine – Used during the cold war, the Black Widow U-45 was a patrol and attack submarine. Between 1957 and 1983, around 75 were made by the Soviet navy.

Uk Foxtrot B-39 L-475 Black Widow Submarine – Usado durante a guerra fria, o Viúva Negra U-45 foi um submarino de patrulha e ataque. Entre 1957 e 1983, cerca de 75 foram feitos pela marinha soviética. (Tradução Livre).

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Ukraine Pripyat – The Chernobyl power plant was created in 1970 and the nearby town Pripyat housed the families of the workers. Around 50,000 people lived here in 160 buildings containing 13,400 apartments.

Ucrânia – Pripyat – A usina de Chernobyl foi criado em 1970 e a cidade vizinha de Pripyat abrigava as famílias dos trabalhadores. Cerca de 50 mil pessoas viviam aqui em 160 edifícios que contêm 13.400 apartamentos. (Tradução Livre)

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Buzludzha – Communist monument in Bulgaria. An abandoned monument, it was the most poignant location in the whole journey of Soviet Ghosts.

Buzludzha – Monumento comunista na Bulgária. O monumento abandonado foi o local mais comovente em toda a jornada de Fantasmas soviéticos. (Tradução Livre).

Para ver essas e outras imagens, além de conhecer melhor o projeto, basta ir ao site da fotógrafa.

Rebecca não está sozinha, assim como não é a primeira a realizar esse tipo de fotografia. O italiano Francesco Mugnai, por exemplo, busca reunir em sua página imagens de lugares abandonados por todo o mundo. Selecionei duas relacionadas ao tema soviético, mas é possível ver muito mais no Blog dele.

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Monumento comunista na Bulgária
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Pripyat – Ucrânia

 Fonte

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O Fantástico Mundo de Joel Robison

A internet é uma imensidão, e desta forma, tem de tudo. Às vezes chego a me pegar perdendo a fé na humanidade com coisas que leio por aí, mas de vez em quando esbarro com preciosidades como o trabalho do Joel Robison, um fotógrafo conceitual do Canadá que usa a arte de escrever com a luz para expressar sua paixão pela literatura.

Com uma ideia na cabeça e sua Canon XTi equipada com uma lente fixa de 50mm F/1.8 (e todo fotógrafo conhece o poder de uma lente dessas, a luz que ela proporciona é incrível), ele sai na vizinhança, que nada mais é do que uma região montanhosa na Colúmbia Britânica, efetua a fotografia e depois a manipula para fazer dela emergir toda a magia.

Estou apaixonada! Me identifiquei não apenas como fotógrafa, mas principalmente como leitora.

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E ao que tudo indica ele também é um potterhead. ❤

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Gostou? Então vá ao Flickr ou ao blog pessoal dele. É uma imagem mais linda que a outra.

Fonte: Fuel Your Photography

8X Fotografia


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Hoje é dia de parabenizar os fotógrafos, e a data me fez tirar da estante um livro (8 X fotografia) que ganhei de aniversário em 2008, quando ainda fazia curso de Fotografia no Ateliê da Imagem, na Urca. Lugar, que por sinal, super recomendo.

Durante a leitura desse livro, há quase 6 anos, fiz uma série de anotações que nunca saíram daquelas páginas, pelo menos até hoje.

São 8 fotografias, 8 especialistas e 8 ensaios para as amantes de fotografia se deleitarem. E que, particularmente, contribuíram para a forma como eu vejo a fotografia. De Cartier-Bresson a Sebastião Salgado, passando por David Hockney e até por um retrato de álbum de família, participamos de intensas discussões que vão além de conceitos fotográficos, mas que trazem à luz desta arte temas filosóficos, sociais e históricos.

Como convite de abertura, temos Alberto Tassinari discorrendo sobre uma das minhas fotografias preferidas de Bresson, tirada em Hyères, registra o encontro da inércia de uma grande escadaria e o movimento de um esfumaçado ciclista, o famoso instante decisivo, atrelado até os dias de hoje à estética deste fotógrafo.

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Estética esta, comparada por Tassinari à Velázquez, que em As meninas, obra pela qual sou completamente apaixonada, deixa evidente a composição de um instante construído por “atitudes e olhares os mais diversos”.

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Nas páginas seguintes sofremos o impacto de um estilo experimental completamente diferente quando Antonio Cicero se debruça sobre a não realidade fotográfica das colagens de David Hockney.
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E isso, para nos reencontramos com a fotografia P&B. Desta vez, pelas lentes de André Kertész, que Rodrigo Naves utiliza para observar a harmonia entre homem, leitura e ambiente urbano.
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Já Eugênio Bucci utiliza uma fotografia de seu próprio álbum de família para questionar a existência do passado e do futuro, em um contexto no qual a temporalidade deixa de ser linear para ser afetiva, pois para o autor, e neste ponto concordamos em gênero, número e grau, a ideia de tempo é uma construção social, cultural e histórica, e por isso, alterável.

Outra análise prendeu minha atenção e por este fato, gerou uma grande quantidade de anotações, setas e interrogações. Foi a realizada pelo sociólogo José de Souza Martins, que com base em uma das fotografias da série “Êxodo” de Sebastião Salgado, discorreu, dentre outras divagações de cunho social e político, sobre a teatralidade épica do fotógrafo, que para registrar a invasão da Fazenda Giacometti pelos sem-terra, a fez antes de todos.

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Estas, obviamente, não foram as únicas fotografias analisadas. Como disse, são 8. Mas acredito que tenha conseguido deixar o gostinho da leitura desta obra, cujo objetivo não é ensinar a alguém como fotografar, mas sim a sentir o fotografar.