O Restaurante no Fim do Universo

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“Há uma teoria que diz que se um dia alguém descobrir exatamente qual é o propósito do Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais bizarro e inexplicável.”

“Há uma outra teoria que diz que isso já aconteceu.”

O Universo é uma piada de mal gosto, mas contada com muito bom humor por Douglas Adams. Coisas, pessoas e acontecimentos podem não tem o menor sentido, mas coincidências e ironias são uma constante no segundo volume da série O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Nessa etapa da aventura, Arthur Dent está enlouquecido em busca de uma simples xícara de chá, algo que o gerador de probabilidade infinita mostrou-se incapaz de fazer, enquanto os demais tripulantes da nave Coração de Ouro percebem o iminente ataque de uma nave Vogon, isso mesmo, aqueles que não são conhecidos pela hospitalidade e simpatia. Na apressada fuga, mais obra do sobrenatural do que da tecnologia, eles atravessam dimensões de tempo e espaço, passando por elevadores temperamentais e um universo pra lá de suspeito, até se verem no famoso Restaurante no Fim do Universo, onde é possível trocar uma ideia com o Prato do Dia antes dele se transformar em um suculento bife, e observar aquele especial momento em que TUDO chega ao fim em um espetáculo de explosões.

Contudo, o objetivo da trupe não era só fazer uma bela refeição. Aparentemente, uma antiga versão de Zaphod Beeblebrox, o ex-presidente da Galáxia, achava importante encontrar o homem que rege o Universo, e em paralelo, a pergunta para a resposta ~ que eles já tinham ~ sobre a questão da vida, do universo e tudo mais.

Brincando novamente com a pequenez humana, Adams ironiza nosso ego e comportamento egoísta, que muitas vezes chega a ser desumano e insano. Sua crítica às instituições e à forma como lidamos com nós mesmos e com os outros em sociedade permanece no segundo livro da série, e ouso dizer que até mais do que no primeiro, principalmente em razão dos últimos capítulos, uma narração sagaz e ácida sobre o início de tudo.

É um livro divertido e crítico ao mesmo tempo. Não é o riso pelo riso apenas.

 DL do TigreLivro lido para o Desafio Literário do Tigre , mês de março.

Tema: Divertido

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O Guia do Mochileiro das Galáxias

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s.f. Faculdade de representar objetos pelo pensamento: ter uma imaginação viva./Faculdade de inventar, criar, conceber: artista de muita imaginação.

Quando Aurélio escreveu esse verbete, Douglas Adams já ensaiava como explorá-lo ao máximo para criar um dos clássicos da ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias. O volume um da trilogia de cinco, cuja história é a de um cara comum que, em uma relação de improbabilidade infinita, se vê perambulando pelo Universo ao lado de seu amigo extraterrestre com uma toalha nos ombros.

Esse cara se chama Arthur Dent e certa vez ele acordou esperando por mais um típico dia inglês, mas se deparou com homens e máquinas preparados para derrubar sua casa. Em meio a protestos, chiliques e muita lama, Arthur foi convencido por seu amigo Ford Prefect a se dirigir ao bar mais próximo, pois eles definitivamente precisariam de alguns chopes antes do iria acontecer, nada mais, nada menos, que a destruição da “praticamente inofensiva” Terra.

E assim, antes do meio-dia Arthur descobriu que não só a sua casa seria destruída, mas todo o Planeta, que Ford era um alienígena disfarçado de ator desempregado, mas que na verdade fazia pesquisa de campo para uma atualização do Guia do Mochileiro das Galáxias, e pretendia salvá-los pegando carona em uma nave vogon, deixando bem claro aqui que os vogons não são conhecidos por sua hospitalidade.

De aventura em aventura, Arthur e Ford vão encarando situações cômicas, muitas delas sem qualquer parâmetro na realidade. Reencontram parentes, como o primo de Ford, o excêntrico Zaphod Beeblebrox, atual Presidente da Galáxia, que viajava em uma nave roubada na companhia de Trillian, um flerte não muito bem sucedido de Arthur, ainda na Terra. Muitas coincidências, ou não.

No meio desses reencontros inesperados e de algumas descobertas reveladoras, ou nem tanto, a escrita de Adams, carregada na ironia e nas piadas, muitas das vezes, subentendidas, revela uma verdadeira crítica ao homem, a nossa obsessão pela burocracia, à política e à sociedade como um todo.

Vale a pena se permitir rir e entrar nesse mundo caótico de Adam e descobrir que o verdadeiro caos está dentro de nós, individual e coletivamente.

Mas não esqueçam, antes de tudo: NÃO ENTRE EM PÂNICO!

untitled (2) Tema de Agosto (“Risos”) do Desafio Literário do Tigre – √

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros

O último livro que li e  será o primeiro sobre o qual escrevo aqui é ” Abraham Lincon: Caçador de Vampiros”, de Seth Grahame-Smith. Talvez não seja a melhor forma de começar,mas já que o blog se trata dos livros que leio,nada mais sincero que isso. Então,vamos lá.Eu gosto da ideia de mesclar História e ficção,via de regra me aventuro nestas leituras e esta foi uma delas, apesar de alguns amigos acharem um verdadeiro sacrilégio “brincar” com alguns personagens históricos tão emblemáticos,como no caso de Abe (a forma intimista com a qual o autor se refere diversas vezes a Abraham Lincoln).Confesso que me chamou a atenção o fato de se tratar de uma história de vampiros. Os considero seres sobrenaturais fascinantes, adoro desde que me lembro, tendo como  marco “Entrevista com o vampiro”, de Anne Rice, apaixonante, e com esta moda vampiresca dos dias atuais é rotina pipocarem diversos títulos envolvendo o tema, mas ainda é difícil encontrar vampiros com tamanha personalidade e complexidade como Lestat ( Sim, vou usá-lo como parâmetro diversas vezes!).

Voltando ao livro, não há dúvidas da habilidade do autor com as palavras, ele escreve bem e usou a criatividade para desenrolar sua história tomando como base um suposto diário secreto do político norte-americano, no qual o décimo sexto Presidente dos EUA conta suas aventuras como caçador de vampiros, em paralelo a real biografia de Abraham, que por si só já rendeu e poderá render diversos livros, afinal ele era o comadante do país durante a Guerra Civil, que terminou com a manutenção da União e o fim da escravidão, um período da História norte-americana que ainda fascína os estadunidenses.Como li por aí, é uma forma engraçada de retratar Abraham Lincoln,mas acho que alguns exageros foram cometidos, as “provas” iconográficas mostraram-se bastante desnecessárias, rísíveis, na verdade, mas se o objetivo era este, foi alcançado.

Pela biografia do autor,produtor de cinema e televisão, se percebe que o livro foi escrito para ser transportado para as telonas, sendo que a parceria com Tim Burton provavelmente resultará em um filme de ação bem ao estilo americano.

Por fim, dificilmente acho que um livro não vale a pena,mas não pretendo ler o outro título do autor ” Orgulho e Preconceito e Zumbis”, os vampiros me bastaram.