O caso do hotel Bertram

BERTRAM

Não resisti. Foi só virar o livro para começar mais uma aventura. Só que desta vez, sem a perspicaz companhia do Sr. Poirot.

Em “O caso do hotel Bertram” um narrador quase que onipresente é nosso guia nos mistérios desta história. O palco não poderia ser outro senão o próprio hotel. Um lugar que conseguiu resistir às mudanças que a modernidade impôs, sendo assim, capaz de proporcionar a seus hóspedes uma verdadeira viagem aos tempos da Inglaterra do início do século XX. Um lugar perfeito, perfeito até demais.

O subtítulo do livro, “Uma aventura de Miss Marple”, nos dá indícios em torno de quem a história pretende girar, e nós realmente giramos, rodamos e ficamos um tanto quanto tontos até entender o papel de Miss Marple na trama. Uma senhorinha cujo único desejo era passar alguns dias de férias na companhia de lembranças da infância, mas que acaba sempre nos lugares errados, nas horas erradas, terminando por saber assim, das coisas certas.

Aos poucos outros personagens são introduzidos na história. Uma aventureira transgressora dos “bons costumes” e viciada em adrenalina, Lady Bess Sedgwick, cujo exagero no estereótipo fez com que meus modernos olhos não lhe dessem muita credibilidade. A filha de Lady Bess, Elvira Black, deixada aos cuidados de outrem para que a mãe pudesse mergulhar de cabeça em suas perigosas aventuras, e que em plena adolescência preocupa-se demais com o dinheiro da herança paterna que está por vir. Um idoso que não pode confiar em sua própria memória, o cônego Pennyfather, que no meio de suas confusões termina por desaparecer misteriosamente. E adivinhem? Todos também estão hospedados no Bertram. Uma curiosa mistura, não?

E como sempre há de ter um crime, neste caso, mais de um, faz-se imprescindível a figura de Fred Davy, detetive chefe da Scotland Yard que busca desvendar uma série de assaltos misteriosamente bem sucedidos, cujos rastros, placas de carros e pessoas parecidas demais, sempre o deixam em um beco sem saída. É o único personagem central que não está hospedado no Hotel, restringindo-se a degustar os famosos muffins servidos no chá.

Feita a apresentação dos personagens, esses diferentes atores, assim como suas histórias começam a se entrelaçar, convergindo para o mesmo lugar, o Hotel Bertram. O sumiço do cônego, um homicídio e, é claro, os assaltos.

Para juntar todas essas peças aparentemente distantes, a observação de Miss Marple, uma detetive diletante e a pulga atrás da orelha do Sr. Davy, o investigador oficial.

E como Agatha sempre tem uma carta na manga, nos brinda com um final revelador e imprevisível, apesar lá pela página 148 eu ter desconfiado de alguns pontos, mas nunca de todo o desfecho. Isso com ela é impossível!

O livro é bom, não é tão intenso, e por fim, não me apaixonei, mas recomendo.

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O misterioso caso de Styles

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Aqui vai uma confissão: Sou fã de seriados policiais. CSI, Bones, Castle, dentre outros. Mas só este ano me deixei encantar pela mestra do romance policial, Agatha Christie. Depois de ler Assassinato no Expresso do Oriente me perguntei: por que não fiz isso há mais tempo? Não tenho resposta para esta pergunta. Terei que conviver com isso e correr, ou melhor, ler atrás do prejuízo.

Comprei alguns daqueles livros “vira-vira” e resolvi começar pelo início. O misterioso caso de Styles, o primeiro romance publicado de Agatha e o primeiro mistério desvendado pelo detetive belga Hercule Poirot.

Esta primeira aventura é narrada por um antigo amigo de Poirot, o Sr.Hastings. O enredo aparentemente é simples; enquanto a Primeira Guerra se desenrola, a Sra. Inglethorp, uma aristocrata inglesa dona de uma grande propriedade chamada Styles, morre dramática e misteriosamente no meio da noite, e o que parecia um ataque cardíaco termina por se revelar em assassinato. A “arma” do crime? Um veneno denominado estricnina.

As suspeitas voltam-se logo para o marido, mais jovem e odiado pelos enteados, John e Lawrence Cavendish, que também não escapam da desconfiança.  O motivo do crime estava bem claro, herança. Típico, poderíamos pensar. O marido como assassino, nada que surpreendesse. Mas com Agatha Christie nada é tão simples como aparenta ser.

E é aí que entra em cena nosso detetive, o Sherlock Holmes de Agatha, com todas as suas deduções, raciocínios, estranhezas, levando Hasting a declarar que “no momento em que ele parece mais louco, descubro que há um método em sua loucura”.  Isso sem falar na mania de “trabalhar nas sombras”, como o próprio Poirot chega a afirmar, deixando para o gran finale suas explicações.

Desta forma, Agatha nos exclui do processo de dedução de Poirot, somos expectadores, com pequenas doses de “amostras grátis”, para que assim como os demais personagens da trama fiquemos de boca aberta com a solução do crime e de como ele desvendou o mistério.

As distrações inseridas no texto, na forma de pistas, transformam cada um dos habitantes da mansão em suspeito em algum momento da trama, por vezes em mais de uma oportunidade. Tudo minuciosamente pensado para confundir. É brilhante.

E depois de inúmeras reviravoltas, contrariando o ditado popular, o que parecia realmente era, mas não da forma como qualquer um de nós poderia imaginar. Não.

E é exatamente essa surpresa que tanto me atraiu. Não sei o hábito de assistir séries e filmes deste gênero me fizeram ter certo feeling para finais. Poucos conseguem me surpreender realmente. Talvez a televisão e o cinema estejam previsíveis demais. Ou talvez eu esteja assistindo aos filmes errados (rs).

O importante é que isso não ocorreu com Agatha, e pelo visto não acontecerá.