Na berma de nenhuma estrada

Quando ainda me aventurava pelas primeiras páginas desta reunião de contos foi-me perguntado sobre o que o livro se tratava, qual sua temática. Hoje, após a completa leitura arrisco dizer que se existe um ponto central em todas as histórias é a habilidade e sensibilidade com as quais o moçambicano Mia Couto escolhe as palavras, como ele brinca com elas, tornando-as aprazíveis tanto aos olhos como aos ouvidos. A verdade é que Mia Couto tem uma capacidade ímpar de contar histórias, criações mágicas de situações rotineiras e trágicas, a fantasia brincando o real para tratar de amor, solidão, perda, morte, ódio e tradição. Ele salta de um tema para outro como quem muda de roupa no verão, e à nós, leitores, resta apenas nos apegarmos e desapegarmos de personagens e tramas breves, mas que de tão intensas deixam marcas.

Rapidamente me vem à lembrança “O fazedor de luzes”, cinco páginas de pura sutileza ao abordar, por trás de estrelas e quintais, a falta que sentimos dos entes queridos que já se foram. Enquanto as palavras transitavam, fui sendo absorvida pela fábula e ao fim, involuntariamente, tal como a personagem que em seus olhos deixou aguar uma tristeza até que a água fosse todas as águas, lágrimas formavam-se em meus olhos.

Contudo, um respirar e um esfregar de olhos já me deixaram pronta para que novas histórias instigassem meus sentimentos e imaginação, como “A morte, o tempo e velho”, na qual através da perspectiva de um velho despido de memória, ele trabalha não só a relação entre morte e tempo, aqui personificadas em personagens com direito a voz, mas também entre morte e sabedoria.

A ausência de memória também está presente na menina sem nome de “Na berma de nenhuma estrada”, conto que dá nome ao livro. Praticamente sem lembranças de seus pais e por isso com raízes conflituosas com a terra onde habita, ela transita entre a vontade ir e permanecer no mesmo chão, enquanto viaja apenas em delírio aguardando a oportunidade e a coragem de ir ao longe.

Por fim, para não agir como o ladrão de instantes do conto “O assalto” ficarei por aqui, afinal, não posso me alongar a escrever sobre todos os textos, e também não o quero, afinal , são 38 histórias, 38 vidas que estão à disposição vocês. Vão, aproveitem!

* Resenha publicada originalmente no site Indique um livro .

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Dias Perfeitos

Dias Perfeitos

A perfeição é algo subjetivo, se moldará a cada um de nós de acordo com nossa psique, nossas experiências e expectativas. Para Téo, protagonista desta trama, a ideia do que é perfeito pode ser algo bastante assustador.

Como estudante de medicina e aspirante à patologista, Téo se sente mais à vontade entre cadáveres. Aos vivos tinha de mentir, fingir, sempre tendo que imaginar como deveria reagir às situações mais simples da vida, pois sua mente não funcionava como as demais. Certo dia é compelido a acompanhar sua mãe paraplégica a um churrasco e lá conhece Clarice, que não lia Lispector, mas estudava História da Arte e almejava ser cineasta, já tinha até roteiro pronto, ao menos o esboço de um filme chamado Dias Perfeitos.

Obcecado por Clarice, tão diferente das outras garotas, Téo passa a segui-la, quer saber tudo sobre sua vida, e à par das informações a pressiona por uma chance, afinal, foram feitos um para o outro, ele só precisava mostrar à ela. Mas como? Sequestrando-a. Quem nunca?

Seu plano, elaborado aos trancos e barrancos de acordo com o desenrolar dos acontecimentos, é mantê-la junto de si, mesmo que para isso tenha de sedá-la inúmeras vezes, e seguir o roteiro de viagem que Clarice havia elaborado em seu longa. Meses se passam e de Teresópolis à Ilha Grande a rotina dos dois se altera apenas em alguns momentos de reviravoltas. Ele, determinado e frio, a obriga a escrever, parar de fumar e tenta moldá-la em uma “pessoa melhor” aos seus sombrios olhos. Ela mostra-se por vezes submissa, por vezes enfurecida, e colocando-nos em seu lugar, o que chega a acontecer inevitavelmente, nos perguntamos: O que eu faria? Obviamente, nada do que ela fez, talvez só um pouquinho.

O livro é perturbador, e é essa característica que o faz carregar uma boa história. Se propõe como um triller psicológico e é isso que entrega. Através de uma narração em terceira pessoa, mas totalmente focada em Téo, vemos como sua mente doentia trabalha, suas linhas de raciocínio, chocantes aos nossos olhos. Nada de psicopatas que amamos à lá Dexter. Também não temos nenhum gênio ou algo parecido, os personagens com os quais esbarra ao longo da trama é que deixam a desejar intelectualmente, além de tudo dar certo para ele como em passes de mágica.

Sobre o final, pois como já afirmei eles são importantes, principalmente nesse tipo de literatura, digo que fiquei maquinando diversas opções (o que foi uma experiência super bacana e angustiante concomitantemente) que ele poderia seguir da metade do livro em diante. Ele seguiu por um caminho que não foi dos meus preferidos e acabou demorando um pouco para chegar lá.

Se indico a leitura? Claro! E pelo que vi por aí o final é mesmo controverso, uns amam, outros odeiam.

Eu, particularmente, gostei mais de Suicidas, o livro de estreia do Raphael, um escritor que devemos ficar de olho, pois faz um trabalho que não pode em hipótese alguma ser ignorado.

Sugiro que leia os dois livros e depois vem aqui me contar o que achou. 😉

DL do TigreLivro lido para o Desafio Literário do Tigre, mês de fevereiro.

Tema: De suspense

Sejamos todos feministas

Sejamos todos feministas

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das exigências de gênero.”

Sejamos todos feministas é um breve ensaio baseado no discurso da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie realizado no TEDxEuston. Para quem nunca ouviu falar, o TED é uma espécie de plataforma compartilhadora de ideias, que através de conferências e palestras dialoga sobre os mais variados temas, de ciência e tecnologia à direitos humanos.

Neste caso, Chimamanda, a “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”, tenta partir de sua realidade pessoal como mulher e nigeriana para refletir sobre o que significa ser feminista hoje, e o mais importante, o que ainda precisamos fazer para que tanto meninas como meninos não sejam mais enclausurados para atenderem às expectativas, ditas, culturais. Pois como ela mesmo afirma, “as pessoas fazem a cultura”, ou seja, ela pode e deve ser modificada para se adaptar às novas realidades. O mundo evoluiu, mas a relação da sociedade com as questões de gênero não. A grande maioria das pessoas ainda vê a expressão “feminismo” como algo negativo, coisa de gente amargurada e mal-amada, por isso o auto-titulo irônico de Adichie.

Os exemplos que ela utiliza, tanto da Nigéria como dos EUA, podem ser adaptados à qualquer realidade, porque em grande parte do mundo as mulheres ainda são criadas para serem dóceis e buscarem a aprovação masculina em suas escolhas e ações, mas o contrário não ocorre.

Nós mulheres já nos sentimos, pelo menos em algum momento da vida, diminuídas ou já tivemos nossas vontades cerceadas por essas questões. Sabemos (deveríamos) a diferença na educação dada à homens e mulheres, mas muitos homens sequer refletem acerca das questões de gênero, pois para eles está tudo bem.

Enquanto lia o texto lembrei muito do discurso da Emma Watson na ONU (leia na íntegra), no qual ela conclama os homens a serem feministas também. Feminismo não é coisa de mulher, apenas, é de quem se interessa e busca uma sociedade mais justa e igualitária.

Para quem quiser ler o texto completo, a Companhia das Letras disponibilizou o download gratuito através da Amazon (por onde eu fiz),  Saraiva , Kobo , Google Play e Apple .

Ou você pode assistir ao vídeo da palestra original no Youtube (o que eu também recomendo).

Ioga para quem não está nem aí

Ioga para quem não está nem aí_O que é que o livro temDepois de uma pausa por motivo de MUDANÇA (e eu achava que tinha poucos livros, isso até ter de encaixotar todos eles, o que afinal não importa porque continuo querendo mais livros! rs), as coisas aos poucos estão voltando ao normal e a quantidade de posts também. Este livro foi terminado há algumas semanas, mas só agora tive tempo de fazer a resenha, e voilà:

É tão comum nos acostumarmos às regras, nos apegarmos à paradigmas e seguirmos sempre pelo mesmo caminho. Entretanto, por vezes esbarramos em algo ou alguém que nos tira do lugar comum, e Ioga para quem não está nem aí, do inglês Geoff Dyer, faz exatamente isso.

Apesar do que o título pode aparentemente propor, o leitor não encontrará nada sobre ioga ou autoajuda por essas páginas. Um segundo olhar pode até levá-lo a crer que está diante de um livro de viagens, mas estará errado, de novo. Como bem disse William Shawcross, do Independet on Sunday, este é um livro inclassificável.

O que se pode fazer é sentar e se deixar levar por uma escrita gostosa e, de certa forma poética, pelas viagens introspectivas e geográficas desse autor, que com um toque de humor irônico nos faz refletir sobre nossas próprias experiências, ao passo que compartilha as “suas” , isso mesmo, entre aspas, pois esse também não é um livro autobiográfico.

O primeiro capítulo chama-se “Deriva horizontal” , título que resume bem a experiência de ler Dyer. À deriva e sem qualquer ordem cronológica seguimos capítulos à dentro, com personagens indo, vindo e sumindo em cada localidade – Nova Orleans, Camboja, Tailândia, Paris, Roma, Amsterdam, Líbia, Detroit.

Mas não espere encontrar aquela dica do melhor restaurante, a atração imperdível, o roteiro underground. As viagens não são através dos olhos de um viajante comum. Os locais são apenas panos de fundo para o que realmente acontece, dentro do narrador, que apesar de tentar se ver como alguém que “não está nem aí”, deixa rastros de melancolia pelo texto. A procrastinação, a sensação de imobilidade, as drogas, a inquietação, a constante busca de pertencimento à si mesmo e ao mundo é que formam o fio condutor das histórias.

A identificação dependerá de cada um. Eu, por exemplo, me maravilhei com a descrição da experiência de estar em Leptis Magna, na Líbia, mas isso porque, assim como ele, amo ruínas, o passado e o presente unidos naquele local, é fascinante.

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Ou em Angkor, quando ele faz uma reflexão quase que debochada da necessidade das pessoas em fotografar . “Em algum plano, por não estarmos fotografando em Angkor, nem sequer estávamos lá.” (p. 43).

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Eu, como amante da fotografia tenho refletido muito sobre o assunto, e hoje, muitas das vezes, opto por baixar minha câmera e apreciar o momento.

Por fim, recomendo a leitura para quem quer sair da mesmice e ler algo diferente e com personalidade.

Barba ensopada de sangue

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Daniel Galera, o nome do momento na literatura brasileira contemporânea, e garanto que não é à toa.

Barba ensopada de sangue é um livro intenso, elaborado e com personagens tão concretos que dá vontade de abraçar. Escrito todo no presente, uma tendência atual, nos faz entrar ainda mais na história.

Com uma narrativa incrível, diálogos ágeis e bem construídos (sem aquela artificialidade com a qual, por vezes, esbarramos por aí), um narrador impessoal nos faz acompanhar a trajetória de nosso herói, um professor de educação física sem nome, cuja condição neurológica o impossibilita de armazenar as feições humanas, ou seja, ele não lembra de ninguém, sequer do próprio rosto.

Rosto este, idêntico ao de seu avô, Gaudério, cujo trágico e misterioso destino o protagonista sem nome toma conhecimento através do pai, pouco antes deste falecer, de forma não menos conturbada, e o deixando com uma incumbência pra lá de estranha, que ele opta por ignorar.

E como se não fosse o bastante, ele ainda tem que lidar com um irmão e uma namorada que o traíram. Diante disso tudo, ele toma uma decisão. Reúne suas coisas, pega a Beta, a cachorra que fora de seu pai a vida toda, e deixa Porto Alegre.

Seu destino? Garopaba. O lugar onde supostamente seu avô, um homem rude que tinha sempre a “peixeira” na mão, foi assassinado em circunstâncias suspeitas.

Mas se estão pensando que ele foi para o ensolarado balneário catarinense, estão muito enganados. A Garopaba que o recepciona é gelada e cinza. Nada de turistas indo e vindo, bares lotados e coisas do gênero. São só nosso amigo, Beta, muito mofo e um mito a ser desvendado.

Mito com o qual o homem sem nome se funde, assim como busca se fundir ao mar e a natureza.

E ao fim da leitura voltamos à introdução para percebermos que um ciclo se fecha e se renova, um ciclo de sangue.

Adoro quando isso acontece. Chegar ao final, voltar ao início do livro e “click”, tudo se conecta perfeitamente.

: Vídeo promocional do Romance para o Prêmio Portugal Telecom de Literatura

8X Fotografia


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Hoje é dia de parabenizar os fotógrafos, e a data me fez tirar da estante um livro (8 X fotografia) que ganhei de aniversário em 2008, quando ainda fazia curso de Fotografia no Ateliê da Imagem, na Urca. Lugar, que por sinal, super recomendo.

Durante a leitura desse livro, há quase 6 anos, fiz uma série de anotações que nunca saíram daquelas páginas, pelo menos até hoje.

São 8 fotografias, 8 especialistas e 8 ensaios para as amantes de fotografia se deleitarem. E que, particularmente, contribuíram para a forma como eu vejo a fotografia. De Cartier-Bresson a Sebastião Salgado, passando por David Hockney e até por um retrato de álbum de família, participamos de intensas discussões que vão além de conceitos fotográficos, mas que trazem à luz desta arte temas filosóficos, sociais e históricos.

Como convite de abertura, temos Alberto Tassinari discorrendo sobre uma das minhas fotografias preferidas de Bresson, tirada em Hyères, registra o encontro da inércia de uma grande escadaria e o movimento de um esfumaçado ciclista, o famoso instante decisivo, atrelado até os dias de hoje à estética deste fotógrafo.

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Estética esta, comparada por Tassinari à Velázquez, que em As meninas, obra pela qual sou completamente apaixonada, deixa evidente a composição de um instante construído por “atitudes e olhares os mais diversos”.

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Nas páginas seguintes sofremos o impacto de um estilo experimental completamente diferente quando Antonio Cicero se debruça sobre a não realidade fotográfica das colagens de David Hockney.
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E isso, para nos reencontramos com a fotografia P&B. Desta vez, pelas lentes de André Kertész, que Rodrigo Naves utiliza para observar a harmonia entre homem, leitura e ambiente urbano.
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Já Eugênio Bucci utiliza uma fotografia de seu próprio álbum de família para questionar a existência do passado e do futuro, em um contexto no qual a temporalidade deixa de ser linear para ser afetiva, pois para o autor, e neste ponto concordamos em gênero, número e grau, a ideia de tempo é uma construção social, cultural e histórica, e por isso, alterável.

Outra análise prendeu minha atenção e por este fato, gerou uma grande quantidade de anotações, setas e interrogações. Foi a realizada pelo sociólogo José de Souza Martins, que com base em uma das fotografias da série “Êxodo” de Sebastião Salgado, discorreu, dentre outras divagações de cunho social e político, sobre a teatralidade épica do fotógrafo, que para registrar a invasão da Fazenda Giacometti pelos sem-terra, a fez antes de todos.

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Estas, obviamente, não foram as únicas fotografias analisadas. Como disse, são 8. Mas acredito que tenha conseguido deixar o gostinho da leitura desta obra, cujo objetivo não é ensinar a alguém como fotografar, mas sim a sentir o fotografar.

Serena

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Com um início que nos diz tudo e não nos diz nada, Serena, do escritor inglês Ian McEwan, se mostrou uma ótima surpresa. E por que digo isso? Pois não sabia da existência deste livro até decidi dar de presente à minha mãe outro título deste autor, Reparação (Ela amou o filme e o livro!). Enquanto o buscava, me deparei com a história que compartilho agora.

Lida a sinopse, logo me interessei. E não havia como ser diferente. Uma mulher linda e inteligente que na década de 70 se torna espiã do Serviço de Segurança britânico. Mas aos poucos se descobre que não há nada de glamouroso nisso.

A vida, teoricamente perfeita, da filha de um conceituado bispo anglicano apaixonada por literatura, não passa incólume às transformações das décadas de 60 e 70. A crise econômica e o terrorismo ganham crescente espaço nas discussões cotidianas. Isso sem falarmos do movimento hippie, cuja experiência de Serena, vivida através de sua irmã, não é das mais positivas.

Formada em matemática, a contragosto e sem louvor, na faculdade de Cambridge, Serena havia se envolvido com um homem mais velho e influente, que mesmo não estando presente em boa parte de sua vida, termina por influenciá-la para sempre ao moldá-la para trabalhar no MI5, um braço do Serviço de Segurança britânico.

Abandonada e ressentida, ela busca seu lugar na “guerra contra a mente totalitária”, mas dentro da Inteligência Britânica se vê envolta pela burocracia estatal. Papéis e mais papéis, retratando velhas e novas batalhas. Entre dossiês soviéticos e agentes infiltrados no IRA, ela descobre na pele os problemas que um “casinho” com um colega de trabalho pode trazer, a discriminação sexual, e o consequente baixo salário.

Até que Serena é convocada para participar de uma modalidade mais discreta de batalha, a cultural. Uma guerra ideológica travada nas entrelinhas. Seu papel? Agenciar um escritor, Thomas Haley, para que ele, involuntariamente, tome partido nessa guerra travada através da caneta e do papel. Mas antes mesmo de conhecê-lo, ela se deslumbra com o criador que pode estar por trás da criatura.

O interesse revela-se mútuo, e mesmo quebrando todas as regras ela se envolve como nunca com seu objeto de trabalho. O relacionamento proibido acaba por trazer toda uma bagagem de mentiras, que quando reveladas trarão a desgraça e a redenção a esse inusitado casal.

Ao fim, a história te laça. Sem perceber, quando já não faltam muitas páginas para o término, suas pernas enfraquecem e ao ler as últimas linhas você está de joelhos, aos pés da história, completamente apaixonado pelo livro.

Foi uma daquelas histórias com o qual fiquei convivendo mesmo depois do livro voltar para a estante. Mas infelizmente, não poderei contar exatamente o porquê. Seria spolier demais!