O Conto da Aia

Acabou. E eu encarava a tela do kindle tentando processar tudo que eu acabara de ler. O medo, a revolta, a angústia e principalmente a impotência dividida com Offred, que é quem, através de relatos feitos em primeira pessoa, nos conta como é viver sob o domínio de um regime teocrático, cuja principal medida é o controle total e absoluto dos corpos femininos, para que estes sirvam apenas a um propósito, o da procriação. É aterrorizante.

O Conto da Aia é uma distopia, eu sei. Mas será mesmo ? Porque o que li está acontecendo AGORA em diversos lugares do mundo sob outras roupagens, em nome dos mais variados deuses e culturas, e como o mau está sempre a espreita, sabemos que tendo oportunidade a bancada da bíblia, e sua coirmã a bancada da bala, farão algo não muito diferente por aqui. E é isso que me deixou extremamente desolada. Os sinais de retrocesso estão aí, como a personagem também relata no livro, mas muitas vezes ficamos paralisadas, impotentes e perigosamente confiantes no sistema, na justiça, na ideia de que certos absurdos jamais passarão, como o congelamento de nossas contas bancárias ou a proibição do trabalho da mulher – de quantas bocas já ouvimos que o lugar da mulher é cuidando da casa, do marido e dos filhos?. Offred assitiu a isso tudo e acabou presa em um lugar no qual estupro, sequestro, tortura e o assassinato de mulheres foram adotados como política de Estado. Tiveram apoio para tal, e não só de homens, naturalmente, mas de mulheres também (Para quem leu, apenas digo: Não seja uma Tia!).

 O meu marido pode me defender, meu irmão, seu pai, namorado, algum amigo podem te defender, mas os homens como gênero e grupo não nos salvarão. Só nós, mulheres, podemos fazer isso. Acho que o recado, a lição, a moral, ou como você quiser nomear, é: Fiquemos atentas e unidas.

Obs: Sim, eu vim aqui sem dar qualquer explicação sobre o sumiço, mas é que eu precisava muito escrever sobre esse livro, nem que fossem apenas esses pequenos parágrafos.
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Sonho Febril

Desde que o mundo é mundo os sonhos tem papel crucial nas nossas vidas, afinal, eles são capazes de nos mover, fazem com que avancemos. Muitos, inclusive, são capazes de quase tudo para torná-los realidade. E com Abner Marsh, um conhecido e respeitado capitão de barcos a vapor, quando esses dominavam os grandiosos rios dos EUA no século XIX, não foi diferente ao deparar-se com a proposta irrecusável de construir o maior e mais veloz barco que o Rio Mississipi já vira.

A sociedade era proposta por um aristocrata excêntrico chamado Joshua York, que entraria com o capital, enquanto Abner teria a experiência e os conhecimentos que só um homem do rio é capaz de possuir. A única coisa que aquele homem extremamente pálido e de olhos cinzas e intensos exigia era que seus ~ estranhos ~ hábitos fossem respeitados. Um deles? Não sair à luz do dia.

Diante das intempéries climáticas que terminaram por arrasar sua frota, Abner ficara desconfiado com o interesse de Joshua pela sua Companhia, afinal, estava praticamente falido, mas como recusar uma oportunidade daquelas? E assim, o Fevre Dream tornou-se real.

Contudo, com o passar das semanas, ficou claro que os planos de Joshua para o magnífico e luxuoso barco nem sempre seriam os mesmos de Abner, cuja desconfiança e desconforto pelos estranhos hábitos noturnos de seu sócio e amigos crescia junto com o avançar pelo rio. Joshua exigia paradas nada estratégicas, atrasando o Fevre Dream, cujo nome começava a circular pelos portos, mas ao contrário do que Abner sonhara, não era devido à sua rapidez e elegância, mas sim em razão dos boatos crescentes sobre seu sombrio parceiro.

Logo, mortes também começaram a acompanhar o trajeto do vapor e confrontar Joshua tornou-se a única opção de Abner, que acima de tudo prezava a sinceridade e a fidelidade, valores que seriam testados quando ele enfrentasse a inacreditável verdade, Joshua era um vampiro.

Contudo, não vá esperando mais do mesmo com relação aos vampiros, pois Tio George criou uma versão bem original do clássico, com regras próprias e muitas, inclusive, diferentes do que estamos acostumados. O autor também caprichou nas descrições, criando uma atmosfera enfumaçada e sombria ao passo que história caminhava mais e mais na escuridão da noite e do rio, além da construção dos personagens, na qual trabalha, algo que ele faz maravilhosamente bem, a dualidade presente nas pessoas e nesse caso, nos vampiros também.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro.

Americanah

“Americanah!”, implicava a amiga de Ifemelu sempre que ela verbalizava suas frustrações enquanto reacostumava-se com o país que foi sua casa, seu lar e parte de sua identidade.

Nós, leitores, sabemos desde o início que Ifemelu estava voltando para a Nigéria após mais de uma década morando nos Estados Unidos, anos ao longo dos quais ela sentiu o peso do racismo pela primeira vez, pois em sua terra natal a questão era mais étnica que racial, igbo ou ioruba? Mas ali até se você era afro-americano ou africano podia fazer diferença, sendo por vezes mais fácil interagir com um latino-americano do que com um negro norte-americano. Tantas nuances, além da cegueira da qual muitos eram acometidos quando a questão era racial, a fizeram criar um blog com observações sobre tal problemática. Ela era uma mulher negra e imigrante, assunto não faltou. Inclusive, foi através de seus textos, carregados de ironia e crítica, que ela passou a dar palestras, conseguiu uma bolsa de estudos em Princeton e estava indo bem financeiramente. Contudo, faltava alguma coisa em sua vida, assim como nos relacionamentos amorosos que teve, tudo estava ~ apenas ~ bem, um estado de coisas repleto de acomodação, algo que a perturbava.

Decidida a retornar, ou pelo menos convencendo-se disso com todas as forças, Ifemelu foi a um salão trançar seus cabelos naturais, algo que fora uma conquista e também parte da construção de sua identidade. Enquanto isso, somos transportados ao seu passado, ainda em Lagos, na Nigéria, para conhecermos sua história e a de Obinze, seu grande amor da adolescência, um relacionamento que tinha tudo para dar certo, mas impossibilitado de continuar em razão do conturbado cenário político e econômico da década de 1990, quando o país era controlado por uma ditadura militar que, além de corrupta e cerceadora de liberdades, realizava um verdadeiro desmonte do sistema educacional, interrompendo os estudos do casal e forçando-os a trilhar outros caminhos, afastando-os. Ela nos Estados Unidos, ele, como descobriríamos quando o foco da narração voltasse para Obinze, um imigrante ilegal menos afortunado na Inglaterra.

A verdade é que, como filhos da classe média, eles não fugiram da fome, dos estupros ou da guerra, mazelas tipicamente associadas à países africanos, estavam em busca de um sonho, do que lhes foi vendido como a vida real, que na visão de ex-colônia não caberia ali, naquele país pobre, subdesenvolvido econômica e culturalmente, e onde as pessoas não eram verdadeiramente civilizadas. Uma ilusão que ficaria latente nas experiências dos dois, afinal, “É maravilhoso, mas não é o paraíso” chegou a afirmar Ifemelu sobre Manhattan, ainda nos primeiros meses em solo norte-americano.

De volta à Lagos, em uma Nigéria já redemocratizada, Ifemelu não queria ser vista como uma afetada americanah, empenhada em demonstrar sua superioridade pelo simples fato de ter passado anos no “primeiro mundo”, mas sentia falta de certos “luxos” que a vida nos EUA a tinham habituado, e até de certas visões de mundo menos tradicionais, diferentes do ponto de vista nigeriano, principalmente na questão da mulher. Ela precisava, novamente, achar o seu lugar naquela cidade, ou, se preciso, construí-lo. Algo que Obinze havia feito anos antes, quando de seu retorno, sendo que agora eles também precisariam encontrar o papel que exerceriam um na vida do outro, pois os laços existentes não se desfizeram por completo com o passar do tempo.

O livro nos envolve. É mais que uma história de amor, força-nos a pensar, refletir, a nos colocarmos no lugar dos personagens. Ifemulu e Obinze são críveis, próximos do real e por isso não há perfeição. Eles tem defeitos, contradições, dúvidas, arrependimentos, e erram (ela mais que ele, talvez), como todos nós, tornando a empatia praticamente inevitável.

Claro que o romance pelo romance tem suas virtudes, sem dúvida, mas uma boa dose de crítica social pode tornar tudo bem mais interessante, principalmente se vier acompanhada de toques de ironia e bom humor, como Chimamanda conseguiu construir. 

* Resenha publicada no site Indique Um Livro 

Na berma de nenhuma estrada

Quando ainda me aventurava pelas primeiras páginas desta reunião de contos foi-me perguntado sobre o que o livro se tratava, qual sua temática. Hoje, após a completa leitura arrisco dizer que se existe um ponto central em todas as histórias é a habilidade e sensibilidade com as quais o moçambicano Mia Couto escolhe as palavras, como ele brinca com elas, tornando-as aprazíveis tanto aos olhos como aos ouvidos. A verdade é que Mia Couto tem uma capacidade ímpar de contar histórias, criações mágicas de situações rotineiras e trágicas, a fantasia brincando o real para tratar de amor, solidão, perda, morte, ódio e tradição. Ele salta de um tema para outro como quem muda de roupa no verão, e à nós, leitores, resta apenas nos apegarmos e desapegarmos de personagens e tramas breves, mas que de tão intensas deixam marcas.

Rapidamente me vem à lembrança “O fazedor de luzes”, cinco páginas de pura sutileza ao abordar, por trás de estrelas e quintais, a falta que sentimos dos entes queridos que já se foram. Enquanto as palavras transitavam, fui sendo absorvida pela fábula e ao fim, involuntariamente, tal como a personagem que em seus olhos deixou aguar uma tristeza até que a água fosse todas as águas, lágrimas formavam-se em meus olhos.

Contudo, um respirar e um esfregar de olhos já me deixaram pronta para que novas histórias instigassem meus sentimentos e imaginação, como “A morte, o tempo e velho”, na qual através da perspectiva de um velho despido de memória, ele trabalha não só a relação entre morte e tempo, aqui personificadas em personagens com direito a voz, mas também entre morte e sabedoria.

A ausência de memória também está presente na menina sem nome de “Na berma de nenhuma estrada”, conto que dá nome ao livro. Praticamente sem lembranças de seus pais e por isso com raízes conflituosas com a terra onde habita, ela transita entre a vontade ir e permanecer no mesmo chão, enquanto viaja apenas em delírio aguardando a oportunidade e a coragem de ir ao longe.

Por fim, para não agir como o ladrão de instantes do conto “O assalto” ficarei por aqui, afinal, não posso me alongar a escrever sobre todos os textos, e também não o quero, afinal , são 38 histórias, 38 vidas que estão à disposição vocês. Vão, aproveitem!

* Resenha publicada originalmente no site Indique um livro .

O Cavaleiro dos Sete Reinos

O Cavaleiro dos Sete Reinos

O Cavaleiro dos Sete Reinos é, na verdade, uma reunião de contos, que claramente inspirados nas histórias e lendas de cavalaria da Idade Média, trazem as aventuras e peripécias de Dunk, um cavaleiro andante, e seu inusitado escudeiro, Egg, noventa anos antes de A Guerra dos Tronos.

Ambos têm papéis de destaque na história dos Sete Reinos, e aqueles que já enfrentaram as milhares de páginas das Crônicas de Gelo e Fogo tem uma noção disso, mas como todo relacionamento, há um início, e com a amizade desses dois não foi diferente, salvo o fato de George R. R. Martin ter resolvido compartilhá-lo conosco.

Em O Cavaleiro Andante, a primeira história, o recém nomeado cavaleiro Sor Duncan, o Alto, Dunk para os íntimos, decide iniciar suas solitárias andanças em um torneio, mas não sem antes esbarrar com um menino careca chamado Egg, que insiste em ser seu escudeiro. Contudo, sua nobreza, não de sangue, mas de atitude, o coloca em uma grande enrascada, que além de pôr em risco sua própria vida, é capaz de levar outras consigo.

Após o desfecho do torneio de Vaufreixo, e já de posse da informação de quem realmente seu escudeiro é, em A Espada Juramentada, Dunk e Egg estão prestando seus serviços a Sor Eustace Osgrey, um velho senhor maltratado pela própria história, através do qual ficamos sabendo um pouco mais sobre a Rebelião BlackFryre, citada nas Crônicas. E como toda aventura, temos mais uma complicação no caminho, e mais um combate pela frente.

Na terceira e última história, O Cavaleiro Misterioso, o objetivo da dupla é chegar ao norte para ver a Muralha, e tentar servir à casa Stark. Entretanto, um torneio durante uma festa de casamento, cujo prêmio é nada mais, nada menos, que um ovo de dragão, os desvia de seu destino e, novamente, eles se veem em uma confusão, muito maior que eles dois dessa vez.

Uma das coisas mais interessantes, além das histórias em si, é que através delas “pescamos” mais informações sobre Westeros, principalmente sobre a Casa Targaryen, inclusive, angariando elementos para reforçar o afastamento de algumas lendas sobre o sangue do dragão. Também temos uma ideia do que é um verão nesse estranho continente ( a não ser que você seja do Rio de Janeiro!rs), pois nas Crônicas vivemos sobre as amenidades (apenas climáticas, diga-se de passagem) de um gostoso outono, até nos depararmos com o temido inverno.

Se é uma boa porta de entrada para o mundo de George R.R.Martin, isso irá depender de cada um. A narrativa é mais simples, menor e bem menos complexa do que nas Crônicas, o que pode levar alguns a não se interessarem tanto por esse mundo logo de início, enquanto para quem terminou a leitura dos cinco livros já publicados, tais histórias servem de alento durante a longa espera pelos próximos volumes, e uma forma de saber mais sobre esse universo.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro

Jardim Secreto, minha experiência

Os polêmicos livros para colorir viraram tendência nos últimos meses. Quem AMA. Quem ODEIA. Quem NÃO SE IMPORTA.

A ideia é ótima e as ilustrações são lindas. Para quem é obcecado com tudo a promessa de desestressar pode ser tentadora, mas convenhamos, simplista para quem realmente convive com problemas de ansiedade. Então, desde já, confesso que adquiri o livro pelas ilustrações, o grande chamariz para mim.

Agora vamos à parte na qual contarei a MINHA experiência, deixando claro, cristalino, que cada pessoa, dependendo de uma série de variáveis, desenvolverá uma relação específica com esse tipo de livro.

Eu tentei, juro que tentei, até fui sincera ao dizer que estava curtindo, mas depois de seis meses chegou a hora de admitir: ABANDONEI O JARDIM SECRETO.

Ok, foi beeeem menos dramático.

Inicialmente comprei um conjunto mais em conta de lápis de cor, pois eu sabia que se fosse usar qualquer tipo de caneta ou aquarela o resultado seria desastroso. Contudo, as cores não saiam definidas, acabava tendo que forçar mais o papel e mesmo assim a gama de cores prometidas revelou-se decepcionante. Então, comprei um outro kit, daquela marca famosa. Aí sim, as cores estavam mais vivas e fáceis de aplicar.

Agora começa o problema entre o lápis e o livro, eu. Não tenho habilidades artísticas, todas foram para o meu irmão, que pinta quadros maravilhosos e desenha incrivelmente bem, assim como meu avô e minha madrinha (irmã da minha mãe), viu que é genético? alguém da geração fica com o dom, não fui eu. Sendo assim, eu não conseguia combinar as cores direito, mantê-las dentro das linhas também mostrou-se uma tarefa bem complicada. O resultado não estava ficando bom, não para os olhos de uma perfeccionista, ao passo que na internet começaram a pipocar resultados incríveis, mescla de cores impactantes e complexas, e mais livros, mais e mais e mais, com  temas super variados. E eu? ainda presa na primeira página do Jardim Secreto.

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Sabemos que qualquer atividade voltada ao trabalho manual e/ou artístico estimula a concentração e a criatividade, e os livros de colorir podem sim gerar satisfação pessoal e prazer para quem interage com o material, mas como qualquer coisa na vida, não é para todo mundo. Nem todos irão efetivamente relaxar, alguns ficarão irritados por não conseguirem o efeito x ou y que viram na internet, outros, desapontados por não alcançarem o nível de paciência e paz interior necessários para colorir o livro todo (acho que me enquadro por aqui). Há quem prefira, inclusive, fazer os próprios desenhos, e muita gente que está se divertindo e até participando de encontros com outros amantes desse mundo colorido.

Para mim a experiência foi até bacana, como disse, fui sincera quando me empolguei com os desenhos, com as pinturas que fiz inicialmente, e até com a ideia do segundo livro da Johanna, mas hoje, apesar de continuar achando o livro lindo, perdi a paciência. Vejo até ilustrações que me interessam mais, como as do Livro do Sossego, ou as do  The Tattto Colouring Book, que vi em uma lista do Buzzfeed de livros do gênero (a moda não é só aqui), mas não pretendo, tão cedo, me enveredar por essas artes novamente, ficarei “só” com as palavras por enquanto.

As Crônicas de Gelo e Fogo #Especial

As Crônicas de Gelo e Fogo

Foi mais demorado do que programei, mas consegui ler os cinco livros de As Crônicas de Gelo e Fogo antes da estreia da 5a temporada da série Game of Thrones, que era, ao fim, o objetivo. Quase um ano de leituras angustiantes, por vezes arrastadas, e em vários momentos eletrizantes, mas por enquanto, acabou. Contudo, sinto que com o início da próxima temporada no domingo, 12 de abril, um especial sobre a saga seria interessante. Relembrar o que foi lido e tecer alguns comentários sobre a série, já que também a assisti nesse meio tempo, mas esse é um papo para o outro post. Vamos pelo início de tudo: Os Livros.

Livro 1: A Guerra dos Tronos.

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Partindo de uma inspiração claramente medieval, e nada inocente, George R. R. Martin constrói um mundo fantástico e épico, mas absurdamente humano ao mesmo tempo. Intrigas, ódio, traição, sexo e violência se destacam em um local onde alianças surgem a partir de trocas de favores e casamentos arranjados, onde tronos são usurpados e servos traem seus reis. A forma como a história é narrada, com cada capítulo dedicado ao ponto de vista e ao que se passa com determinados personagens, nos deixa ainda mais próximos daqueles que irão redefinir, à base de muito sangue, a história do fictício continente de Westeros.

Resenha completa: http://goo.gl/Q4fmkv

Livro II: A Fúria dos Reis.

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Um ditado popular nacional poderia resumir o que se passa em A Fúria dos Reis: “É muito cacique para pouco índio”. São muitas coroas para pouco reino e Westeros colhe os amargos frutos que só uma guerra civil pode oferecer. Miséria e fome se alternam nessas páginas, mas a magia também se faz presente, afinal, dragões espreitam no além mar e o fogo traz ambiciosas promessas. Também é o livro no qual começamos a perceber que Martin tem a capacidade de ressuscitar aqueles considerados mortos.

Resenha completa: http://goo.gl/MtnhQd

Livro III: A Tormenta de Espadas.

A Tormenta de Espadas

O maior volume da saga é um divisor de águas e a consagração de Martin. É incrível seu poder de dar não apenas vida, mas pontos de vista a tantos personagens, fazendo, inclusive, com que tenhamos sentimentos conflituosos com relação a alguns deles. Vamos do ódio à empatia, e até à compaixão, por um vilão que até então era tido como cruel e insensível. Assistimos ao mais racional de todos agir por puro ódio e vingança. E aquele que parecia invencível perde tudo em uma decisão equivocada, mostrando o jovem que ainda era. Outros apenas mantém seu padrão de comportamento gerador de ódio entre os leitores, apenas justificando nossa já existente sede por seu sangue. Aqui, personagens que tiveram capítulos arrastados no segundo livro tem mais destaque, como a Mãe dos Dragões, que em apenas uma palavra me conquistou. Uma parte afastada e fria de Westeros também ganha bastante atenção, A Muralha e as terras para lá dela , que através dos olhares do bastardo mais amado, Jon Snow, e do gordinho mais sortudo e simpático, Samwell Tarly, trazem os capítulos mais fantásticos, pois é lá que o inverno chega primeiro, e onde os mortos não estão onde deveriam.

Resenha completa: http://goo.gl/8HRBsj

Livro IV: O Festim Dos Corvos

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O mais curto, e ao mesmo tempo, mais longo dos livros da série tem a missão de dar continuidade ao terceiro e épico volume, que deixa o leitor sedento, ansioso pelo desenrolar de algumas histórias. Contudo, as páginas passam, os capítulos se arrastam, nomes se repetem e nada. Há pouca alternância de personagens diante da enormidade de vozes que a história possui, e aos que foi dada a oportunidade de falar, suas rotinas muitas vezes os consumiam. Alguns nadaram, nadaram e nadaram, para ao fim, morrerem na praia. Tramas, intrigas e maracutaias se desenrolaram, claro, é de GOT que estamos falando, mas outras são apenas mais do mesmo. Vemos pouco, ou melhor, quase nada da Muralha e dragões são só alusões distantes. Na verdade, o foco do livro é em Porto Real e adjacências, como Dorne e as Ilhas de Ferro. Entretanto, como Martin sabia que tal seleção não nos passaria despercebido, concedeu-nos uma explicação, e fez-nos uma promessa.

Resenha completa: http://goo.gl/j8k579

Livro V: A Dança dos Dragões

A Dança dos Dragões

Martin cumpre sua promessa. Dá voz novamente aos personagens que tanto sentimos falta em O Festim dos Corvos, Jon, Arya, Bran, Tyrion e Daenerys, além de outros, como Sor Davos e até Melisandre, fechando lacunas e completando o contexto, do qual só tínhamos parte das informações. Aqui ninguém anda em círculos, todos avançam. Então, um cavaleiro outrora odiado retoma sua fala e percebemos que chegou a hora, aquele momento em que não se sabe de mais nada e tudo pode acontecer, pois a história avança temporalmente após páginas e páginas em que corria paralelamente ao Livro IV. Contudo, não só de personagens antigos o livro se faz, novas e surpreendentes peças também entram no Jogo dos Tronos, assim como algumas ressurgem, pois aparentemente, Tio George também ressuscita os mortos, e vários nessas páginas.

Resenha completa: http://goo.gl/t94bqe