Mensageiros da Morte

Mensageiros da Morte

Um dos negócios mais lucrativos do planeta é o de armamentos, e como toda atividade, está sujeita às crises que vão e vem ao longo da história do capitalismo. Uma guerra em um contexto como esse pode vir a calhar aos empresários do ramo, isso não é novidade, como também não é o fato de que muitas teorias conspiratórias já se enveredaram por essas turvas águas, principalmente quando os EUA estão em um dos polos do conflito. Uma guerra arquitetada única e exclusivamente visando o lucro da indústria armamentista? Parece crível para mim, afinal quando dizem que na guerra não há vencedores, esquecem-se dos que fornecem as armas. Contudo, Marcos de Sousa vai além e escreve o que poderia acontecer quando os limites são realmente esquecidos, a moral deixada mofando em alguma gaveta e algo do gênero toma proporções globais.

O banho de sangue está sob o comando do “Chefe”, que tal como um grande vilão das histórias em quadrinhos, tem como objetivo principal dominar o mundo, tendo para isso tudo e todos sob seu controle. Ele arquiteta um plano ousado e cruel, que usando das mais diversas e poderosas peças molda o mundo aos seus interesses, independente de quantas almas tenha que ceifar. A roda do poder gira ao seu favor, enquanto reles mortais tentam sobreviver em meio ao caos, como Enzo, um ex- policial carioca cuja vida foi destroçada antes mesmo da batalha começar, e até Thiago, que apesar de reles não ter nada, seu papel na história pode surpreender a todos, inclusive, a si próprio.

Os personagens são os mais distintos, tanto que inicialmente ficamos ressabiados sobre quem terá destaque na história, quem será o principal, mas as cartas vão sendo jogadas ao longo dos curtos capítulos e das diversas localidades ao redor do globo no qual a história se desenrola, o que, por sinal, dá ao livro uma agilidade surpreendente, e em certa altura já podemos ter ideia dos papéis a serem desempenhados, apesar disso não nos preparar para o eletrizante e tenso final.

Mensageiros da Morte é o romance de estreia do autor brasileiro Marcos de Sousa, que talvez na busca pela perfeição tenha por vezes endurecido alguns diálogos, mas que não chegam a comprometer uma história para lá de interessante e que promete se estender, para nossa sorte e ansiedade, em mais alguns livros.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro

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