Ioga para quem não está nem aí

Ioga para quem não está nem aí_O que é que o livro temDepois de uma pausa por motivo de MUDANÇA (e eu achava que tinha poucos livros, isso até ter de encaixotar todos eles, o que afinal não importa porque continuo querendo mais livros! rs), as coisas aos poucos estão voltando ao normal e a quantidade de posts também. Este livro foi terminado há algumas semanas, mas só agora tive tempo de fazer a resenha, e voilà:

É tão comum nos acostumarmos às regras, nos apegarmos à paradigmas e seguirmos sempre pelo mesmo caminho. Entretanto, por vezes esbarramos em algo ou alguém que nos tira do lugar comum, e Ioga para quem não está nem aí, do inglês Geoff Dyer, faz exatamente isso.

Apesar do que o título pode aparentemente propor, o leitor não encontrará nada sobre ioga ou autoajuda por essas páginas. Um segundo olhar pode até levá-lo a crer que está diante de um livro de viagens, mas estará errado, de novo. Como bem disse William Shawcross, do Independet on Sunday, este é um livro inclassificável.

O que se pode fazer é sentar e se deixar levar por uma escrita gostosa e, de certa forma poética, pelas viagens introspectivas e geográficas desse autor, que com um toque de humor irônico nos faz refletir sobre nossas próprias experiências, ao passo que compartilha as “suas” , isso mesmo, entre aspas, pois esse também não é um livro autobiográfico.

O primeiro capítulo chama-se “Deriva horizontal” , título que resume bem a experiência de ler Dyer. À deriva e sem qualquer ordem cronológica seguimos capítulos à dentro, com personagens indo, vindo e sumindo em cada localidade – Nova Orleans, Camboja, Tailândia, Paris, Roma, Amsterdam, Líbia, Detroit.

Mas não espere encontrar aquela dica do melhor restaurante, a atração imperdível, o roteiro underground. As viagens não são através dos olhos de um viajante comum. Os locais são apenas panos de fundo para o que realmente acontece, dentro do narrador, que apesar de tentar se ver como alguém que “não está nem aí”, deixa rastros de melancolia pelo texto. A procrastinação, a sensação de imobilidade, as drogas, a inquietação, a constante busca de pertencimento à si mesmo e ao mundo é que formam o fio condutor das histórias.

A identificação dependerá de cada um. Eu, por exemplo, me maravilhei com a descrição da experiência de estar em Leptis Magna, na Líbia, mas isso porque, assim como ele, amo ruínas, o passado e o presente unidos naquele local, é fascinante.

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Ou em Angkor, quando ele faz uma reflexão quase que debochada da necessidade das pessoas em fotografar . “Em algum plano, por não estarmos fotografando em Angkor, nem sequer estávamos lá.” (p. 43).

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Eu, como amante da fotografia tenho refletido muito sobre o assunto, e hoje, muitas das vezes, opto por baixar minha câmera e apreciar o momento.

Por fim, recomendo a leitura para quem quer sair da mesmice e ler algo diferente e com personalidade.

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