Barba ensopada de sangue

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Daniel Galera, o nome do momento na literatura brasileira contemporânea, e garanto que não é à toa.

Barba ensopada de sangue é um livro intenso, elaborado e com personagens tão concretos que dá vontade de abraçar. Escrito todo no presente, uma tendência atual, nos faz entrar ainda mais na história.

Com uma narrativa incrível, diálogos ágeis e bem construídos (sem aquela artificialidade com a qual, por vezes, esbarramos por aí), um narrador impessoal nos faz acompanhar a trajetória de nosso herói, um professor de educação física sem nome, cuja condição neurológica o impossibilita de armazenar as feições humanas, ou seja, ele não lembra de ninguém, sequer do próprio rosto.

Rosto este, idêntico ao de seu avô, Gaudério, cujo trágico e misterioso destino o protagonista sem nome toma conhecimento através do pai, pouco antes deste falecer, de forma não menos conturbada, e o deixando com uma incumbência pra lá de estranha, que ele opta por ignorar.

E como se não fosse o bastante, ele ainda tem que lidar com um irmão e uma namorada que o traíram. Diante disso tudo, ele toma uma decisão. Reúne suas coisas, pega a Beta, a cachorra que fora de seu pai a vida toda, e deixa Porto Alegre.

Seu destino? Garopaba. O lugar onde supostamente seu avô, um homem rude que tinha sempre a “peixeira” na mão, foi assassinado em circunstâncias suspeitas.

Mas se estão pensando que ele foi para o ensolarado balneário catarinense, estão muito enganados. A Garopaba que o recepciona é gelada e cinza. Nada de turistas indo e vindo, bares lotados e coisas do gênero. São só nosso amigo, Beta, muito mofo e um mito a ser desvendado.

Mito com o qual o homem sem nome se funde, assim como busca se fundir ao mar e a natureza.

E ao fim da leitura voltamos à introdução para percebermos que um ciclo se fecha e se renova, um ciclo de sangue.

Adoro quando isso acontece. Chegar ao final, voltar ao início do livro e “click”, tudo se conecta perfeitamente.

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4 comentários em “Barba ensopada de sangue”

  1. Engraçado, ganhei um livro do Galera há algum tempo atrás e achei MUITO ruim, não cheguei a ler trinta páginas. Achei o estilo dele afetado demais! Vou dar uma olhada nesse “Barba…” para ver se mudo de ideia…

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