8X Fotografia


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Hoje é dia de parabenizar os fotógrafos, e a data me fez tirar da estante um livro (8 X fotografia) que ganhei de aniversário em 2008, quando ainda fazia curso de Fotografia no Ateliê da Imagem, na Urca. Lugar, que por sinal, super recomendo.

Durante a leitura desse livro, há quase 6 anos, fiz uma série de anotações que nunca saíram daquelas páginas, pelo menos até hoje.

São 8 fotografias, 8 especialistas e 8 ensaios para as amantes de fotografia se deleitarem. E que, particularmente, contribuíram para a forma como eu vejo a fotografia. De Cartier-Bresson a Sebastião Salgado, passando por David Hockney e até por um retrato de álbum de família, participamos de intensas discussões que vão além de conceitos fotográficos, mas que trazem à luz desta arte temas filosóficos, sociais e históricos.

Como convite de abertura, temos Alberto Tassinari discorrendo sobre uma das minhas fotografias preferidas de Bresson, tirada em Hyères, registra o encontro da inércia de uma grande escadaria e o movimento de um esfumaçado ciclista, o famoso instante decisivo, atrelado até os dias de hoje à estética deste fotógrafo.

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Estética esta, comparada por Tassinari à Velázquez, que em As meninas, obra pela qual sou completamente apaixonada, deixa evidente a composição de um instante construído por “atitudes e olhares os mais diversos”.

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Nas páginas seguintes sofremos o impacto de um estilo experimental completamente diferente quando Antonio Cicero se debruça sobre a não realidade fotográfica das colagens de David Hockney.
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E isso, para nos reencontramos com a fotografia P&B. Desta vez, pelas lentes de André Kertész, que Rodrigo Naves utiliza para observar a harmonia entre homem, leitura e ambiente urbano.
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Já Eugênio Bucci utiliza uma fotografia de seu próprio álbum de família para questionar a existência do passado e do futuro, em um contexto no qual a temporalidade deixa de ser linear para ser afetiva, pois para o autor, e neste ponto concordamos em gênero, número e grau, a ideia de tempo é uma construção social, cultural e histórica, e por isso, alterável.

Outra análise prendeu minha atenção e por este fato, gerou uma grande quantidade de anotações, setas e interrogações. Foi a realizada pelo sociólogo José de Souza Martins, que com base em uma das fotografias da série “Êxodo” de Sebastião Salgado, discorreu, dentre outras divagações de cunho social e político, sobre a teatralidade épica do fotógrafo, que para registrar a invasão da Fazenda Giacometti pelos sem-terra, a fez antes de todos.

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Estas, obviamente, não foram as únicas fotografias analisadas. Como disse, são 8. Mas acredito que tenha conseguido deixar o gostinho da leitura desta obra, cujo objetivo não é ensinar a alguém como fotografar, mas sim a sentir o fotografar.

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