Amores Proibidos na História do Brasil

Adoro ouvir rádio, hoje, prefiro as notícias. Gosto dessa sensação de estar ciente do que ocorre com o mundo à minha volta. E numa dessas “ouvidas”, enquanto estávamos entretidos, eu, minha mãe e meu marido, em achar o lugar na Barra onde a  minha colação de grau em Direito iria ocorrer, perdidos nas suas avenidas sem esquinas, me chamou a atenção uma entrevista que se desenrolava com o autor do Livro “ Amores Proibidos na História do Brasil ”, o jornalista Maurício Oliveira.De cara, como de praxe, fiquei com o pé atrás, na verdade os dois, por se tratar de um jornalista escrevendo sobre história. Mas o valor do livro era acessível e tinha ganho um cupom de desconto, assim, resolvi arriscar e mais uma vez baguncei toda a minha lista de leituras, que já não é lá muito rígida.Com o livro em mãos, mal senti aquele cheirinho gostoso de livro novo, e uma luz no fim do túnel, o autor tem mestrado em História Cultural. E qual foi a ideia dele? Em um trajeto de mais ou menos duzentos anos na História do Brasil escolheu sete relacionamentos famosos e conturbados e escreveu sobre eles. Ao passo que se afastou da formalidade que o papel de “personagem histórico” às vezes confere a estas pessoas, nos relatou suas experiências pessoais, humanizando-os.
Em uma sequência cronológica as histórias apresentadas vão de Chica da Silva e João Fernandes a Lampião e Maria Bonita, passando por D. Pedro I e a Marquesa de Santos, Giuseppe e Anita Garibaldi, Joaquim Nabuco e Eufrásia Leite, Chiquinha Gonzaga e João Batista, e Oswald de Andrade e Pagu.
Não vou me debruçar em escrever sobre cada uma delas, até porque, as histórias são famosas e de forma geral, conhecidas do leitor, algumas, inclusive, fazem parte do ideário popular. Pretendo apenas dividir com o papel, ou melhor, com a tela à minha frente, as impressões que tive.
Com algumas escorregadas históricas, o autor, atuando como narrador, romanceia alguns encontros e diálogos entre os personagens principais, como o próprio confessa, o que não tira o brilho, pelo contrário, nos envolve mais na leitura, fazendo-a fluir, tanto que li o livro completo apenas nas idas e vindas no metrô. As histórias, como a proposta do livro sugere, são repletas de preconceito, raiva, tristeza, traições, lagrimas e lamurias, além de luxuria e paixão, temperos para qualquer história de amor, proibida ou não. Conforme a leitura se desenrolava, tive a impressão que o foco da escrita se ateve muito mais as mulheres, com exceção de Joaquim Nabuco, talvez por este ter deixado mais registros sobre a história de amor do qual foi protagonista, e D. Pedro I, acredito que por ter sido “apenas” o Primeiro Imperador do Brasil e ter estado a frente, quiçá, da história mais famosa.
As duas histórias com que mais me envolvi, das quais não sabia grandes detalhes, foram as de Anita Garibaldi e Chiquinha Gonzaga. Em situações completamente diferentes, mostraram-se mulheres de garra, que indo de encontro a tudo que se esperava delas dentro de uma sociedade machista foram atrás de seus desejos, se entregaram não só aos homens que amavam, mas à própria vida e, no caso da primeira, pagando com ela.
Com diferenças, claro, no contexto histórico no qual estão inseridas, as histórias refletem, na maioria das vezes, uma sociedade preconceituosa, na qual a cor da pele ou a conta bancária de uma pessoa pode fazer com que um relacionamento normal entre duas pessoas se transforme em um amor proibido. Alguma semelhança com os dias atuais?
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