A Amiga Genial

Antes de mais nada, informo-os que a partir de hoje enalteceremos Elena Ferrante o quanto pudermos por aqui.

Há muito ouvia falar da misteriosa escritora italiana que assina seus romances com esse pseudônimo, Elena Ferrante, mas só muito recentemente, mais precisamenente há 5 ou 6 dias conheci o poder de sua escrita.

A Amiga Genial, o primeiro livro da tetralogia Napolitana, inicia a história da amizade entre duas mulheres, Lila Cerullo e Elena Greco, que desde pequenas lidam com a realidade suburdabana de uma Nápoles assombrada pelos fantasmas da Segunda Guerra Mundial e pela falta de pespectiva de vida para os menos afortunados, enclausurados em seus bairros e trabalhos maus remunerados em um ciclo de desesperança e violência.

No início desta série, acompanhamos a infância e adolescência de Cerullo e Greco, as descobertas,  a crueldade , a inveja, a disputa, o companheirismo e toda a dualidade que tais fases carregam, mas escrita de uma maneira real e brutal.

Elena, ou qualquer que seja seu verdeiro nome, tem uma forma única de carregar o que seria banal de camadas de complexidade, estendendo seu profundo e consciente olhar sobre as personagens femininas, descartando-as de qualquer estereótipo e enchendo-as de nuances que as transformam em espelhos nos quais nos reconhecemos como mulheres.

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Mindhunter – O livro

Sou daquelas que prefere ler o livro antes de assisir a uma série e/ou filme, então se você é como eu e está pensando em acompanhar a série Mindhunter, sobre a qual falei aqui, mas quer ler o livro antes, peço que tenha calma e sente aqui para a gente conversar.

Maratonei a série em um único dia e logo após a estreia. Eu nem sabia que existia um livro, o quão era real e ficcional no que estava assistindo e agradeço imensamente por isso.

O livro é bom, gostei bastante, mas desconfio que só achei isso por ter assistido a série antes. Vejam bem, como disse quando escrevi sobre a série, não sou aficionada por serial killers e só conhecia nomes e histórias mais famosas, como Charles Manson. Sendo assim, sem a empolgação e a base da série eu talvez tivesse perdido o interesse durante a leitura, principalmente nos primeiros capítulos, os quais abordam muito da vida pessoal do agente John Douglas, que em parceria com Mark Olshaker, escreveram o livro e que na série é adaptado como o personagem Holden Ford.

Por sinal, a vida pessoal de inspiração e personagem divergem bastante, mas os relatos dos casos nos quais trabalhou, cuja linha do tempo vai e volta entre as décadas de 1970 e 1980, principalmente, pareceram bem fidedignos, assim como ele e sua equipe desenvolveram a técnica de análise de perfis e a “venderam” para o próprio FBI e para a sociedade como um todo. Contudo, no texto não há certos apelos que a série tem.

Lemos sobre os casos, a maioria envolvendo as maiores atrocidades contra mulheres e crianças e isso pesou bastante. Lemos também sobre as entrevistas, que através do relato ficaram bizarramente menos assustadoras. O texto também aborda o impacto do trabalho na vida pessoal de Douglas, a relação com os colegas e a Agência, mas faltou, aos meus olhos pelo menos, o jogo psicológico que tornou a série tão interessante, o que é natural no caso de uma adaptação desse tipo.

Pelo que disse aqui, deixo a recomendação de ler o livro apenas depois de assistir e se viciar na série. A não ser que você já seja um entusiasta da temática e sendo assim, provavelmente até já leu o livro e nesse caso, a única coisa que me resta dizer é: boa maratona 😉

Mindhunter

Eu não tenho vindo muito aqui e isso é um fato. Contudo, a mente e o dedo coçam para escrever quando esbarro em alguma coisa muito incrível. Foi assim com O Conto da Aia e o mesmo rolou com a série Mindhunter, estreia da última sexta da Netflix e que devorei no domingo de uma tacada só.

A série se passa nos EUA do final dos anos setenta, um momento pós Vietnã, ainda de Guerra Fria, com muita desconfiança e conflitos internos, principalmente de ordem social e democrática, que como é conversado na própria série, terminam por influenciar a dinâmica da sociedade, inclusive, quanto à criminalidade. É um período no qual a busca pela motivação, pela relação entre assassino e vítima como caminho óbvio para a solução de um caso não funciona mais de forma tão simples. A coisa torna-se mais cinza.

Nesse contexto, os agentes do FBI Holder Ford e Bill Tench, através da psicologia e análise comportamental, começam a pensar em outras formas de entender os crimes cada vez mais violentos e sem motivação aparente, assim como quem os comete, os famosos assassinos em série. Jonathan Groff e Holt McCallany, que interpretam os agentes Ford e Tench, respectivamente, tem uma química ímpar e funcionam maravilhosamente em cena, excelentes, assim como Anna Torv, atriz que dá vida a acadêmica Wendy Carr, uma personagem feminina bem bacana diga-se de passagem, consultora do projeto, que tem como principal faceta entrevistar assassinos violentos.

Aqui abro um parêntese para a atuação de Cameron Britton como Edmund Kemper, o “assassino de colegiais” e objeto inicial da pesquisa, o “paciente zero” da investigação através da qual os agentes esperam entender a mente desses criminosos e assim, prevenir o horror que eles disseminam. Enquanto assistia as cenas na qual ele participa já o achei incrível, assim como os diálogos e as interações com os agentes, tudo muito bem construído, mas vai lém e explico a seguir. Eu curto séries e filmes policiais, de investigação e etc, mas não sou uma grande aficionada por serial killers, então, apesar de saber que aqueles representados em tela são pessoas reais eu não tinha material para comparação, sendo assim, após terminar a série e ler aqui e acolá o quanto Britton estava perfeitamente caracterizado, assisti uma entrevista do verdadeiro Kemper e MEU DEUS DO CÉU! Dêem um prêmio a esse homem! O tom de voz, os trejeitos, a fala, tudo! Impressionante. Fecho parêntese.

Resumindo, é uma série bem inteligente, com um ritmo bom, tanto que não entendi algumas pessoas reclamando que ela é lenta. Na minha opinião, ela vai crescendo e ficando mais complexa, acompanhando os personagens e os desafios que esses assumem enquanto vanguarda, pois sabemos o quanto complicado pode ser pensar em algo novo ou sob uma nova pespectiva, pois o diferente assusta, principalmente quando envolve questões de ordem moral e ética.

A contagem para a segunda temporada está aberta e a expectativa altíssima!

 

O Conto da Aia

Acabou. E eu encarava a tela do kindle tentando processar tudo que eu acabara de ler. O medo, a revolta, a angústia e principalmente a impotência dividida com Offred, que é quem, através de relatos feitos em primeira pessoa, nos conta como é viver sob o domínio de um regime teocrático, cuja principal medida é o controle total e absoluto dos corpos femininos, para que estes sirvam apenas a um propósito, o da procriação. É aterrorizante.

O Conto da Aia é uma distopia, eu sei. Mas será mesmo ? Porque o que li está acontecendo AGORA em diversos lugares do mundo sob outras roupagens, em nome dos mais variados deuses e culturas, e como o mau está sempre a espreita, sabemos que tendo oportunidade a bancada da bíblia, e sua coirmã a bancada da bala, farão algo não muito diferente por aqui. E é isso que me deixou extremamente desolada. Os sinais de retrocesso estão aí, como a personagem também relata no livro, mas muitas vezes ficamos paralisadas, impotentes e perigosamente confiantes no sistema, na justiça, na ideia de que certos absurdos jamais passarão, como o congelamento de nossas contas bancárias ou a proibição do trabalho da mulher – de quantas bocas já ouvimos que o lugar da mulher é cuidando da casa, do marido e dos filhos?. Offred assitiu a isso tudo e acabou presa em um lugar no qual estupro, sequestro, tortura e o assassinato de mulheres foram adotados como política de Estado. Tiveram apoio para tal, e não só de homens, naturalmente, mas de mulheres também (Para quem leu, apenas digo: Não seja uma Tia!).

 O meu marido pode me defender, meu irmão, seu pai, namorado, algum amigo podem te defender, mas os homens como gênero e grupo não nos salvarão. Só nós, mulheres, podemos fazer isso. Acho que o recado, a lição, a moral, ou como você quiser nomear, é: Fiquemos atentas e unidas.

Obs: Sim, eu vim aqui sem dar qualquer explicação sobre o sumiço, mas é que eu precisava muito escrever sobre esse livro, nem que fossem apenas esses pequenos parágrafos.

O Projeto Divas Literárias

Dizer que estou ausente é redundante, e até abusado da minha parte. Isso é óbvio! Os motivos, mais do mesmo, e já conversamos sobre isso. Contudo, vim aqui compartilhar um projeto que tem me tirado da procrastinação das horas livres, o Divas Literárias.

Divas Literarias_Logo

O Divas é, na verdade, um blog feito por mim e mais 3 colegas da Especialização em Leitura e Produção Textual. Não foi ideia nossa, afinal, é o trabalho de conclusão da matéria, cujo objetivo era confeccionar um blog, mas tem sido super bacana trabalhar no blog e no conteúdo.

Se vamos continuar após a avaliação – Dia 12/03, por favor, façam pensamento positivo pela nossa nota 10 – , ainda é um mistério. Talvez sim, talvez não, talvez mudemos o nome, talvez nada disso.  Mas queria muito mostrar o nosso trabalho, então, visitem, deem opinião, compartilhem!

Até!

 

Jessica Jones #Séries

Acabei de assistir toda a primeira temporada de Jessica Jones na Netflix e não podia deixar passar, então, estes são meus cinco minutinhos sobre a série :

Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma investigadora particular com certas habilidades especiais, que acabaram chamando a atenção de um “canalha maldito” que por infelicidade do destino tem o poder de controlar mentes, Kilgrave, interpretado magistralmente por David Tennant – ouso dizer que um dos melhores, quiça o melhor vilão da Marvel –  , que a forçou a fazer coisas que a atormentam até o presente, uma realidade repleta de whiskys baratos, mau humor e sarcasmo.

JessicaJones_Imagem de divulgação

E partimos para a parte boa (e interessante), aquela na qual declaro ser uma das melhores investidas da Marvel,  o que apenas reafirma que a parceria com a Netflix , iniciada com o também incrível Demolidor, foi uma escolha super acertada. O enredo é bem amarrado, os personagens são concretos e reais, apesar das habilidades. Por sinal, a série permaneceria bem bacana sem toda a questão dos poderes, e talvez isso a torne tão marcante.

Não temos lutas épicas como em Demolidor, mas alguns diálogos dignos de nota, como quando Jessica enfrenta Kilgrave ao afirmar que enquanto estava sobre seu controle ele a estuprava todos os dias, não apenas fisicamente, mas que ele violou cada célula do seu corpo e cada pensamento de sua mente, já que ela não queria nada daquilo e não cabia a ele decidir por ela.

Kilgrave_Imagem de divulgação

E chegamos no ponto no qual eu queria. É uma série da Marvel que trata de abuso, afinal, tire os poderes de Kilgrave e ele é mais um homem machista, violento e perseguidor que acredita que um cromossomo y lhe dá o poder de decidir a vida de uma mulher, que para ele  é apenas uma propriedade.

Palmas para os produtores enquanto aguardo a segunda temporada e o seguro crossover com Demolidor, “linkado” finamente nos últimos episódios.

Sonho Febril

Desde que o mundo é mundo os sonhos tem papel crucial nas nossas vidas, afinal, eles são capazes de nos mover, fazem com que avancemos. Muitos, inclusive, são capazes de quase tudo para torná-los realidade. E com Abner Marsh, um conhecido e respeitado capitão de barcos a vapor, quando esses dominavam os grandiosos rios dos EUA no século XIX, não foi diferente ao deparar-se com a proposta irrecusável de construir o maior e mais veloz barco que o Rio Mississipi já vira.

A sociedade era proposta por um aristocrata excêntrico chamado Joshua York, que entraria com o capital, enquanto Abner teria a experiência e os conhecimentos que só um homem do rio é capaz de possuir. A única coisa que aquele homem extremamente pálido e de olhos cinzas e intensos exigia era que seus ~ estranhos ~ hábitos fossem respeitados. Um deles? Não sair à luz do dia.

Diante das intempéries climáticas que terminaram por arrasar sua frota, Abner ficara desconfiado com o interesse de Joshua pela sua Companhia, afinal, estava praticamente falido, mas como recusar uma oportunidade daquelas? E assim, o Fevre Dream tornou-se real.

Contudo, com o passar das semanas, ficou claro que os planos de Joshua para o magnífico e luxuoso barco nem sempre seriam os mesmos de Abner, cuja desconfiança e desconforto pelos estranhos hábitos noturnos de seu sócio e amigos crescia junto com o avançar pelo rio. Joshua exigia paradas nada estratégicas, atrasando o Fevre Dream, cujo nome começava a circular pelos portos, mas ao contrário do que Abner sonhara, não era devido à sua rapidez e elegância, mas sim em razão dos boatos crescentes sobre seu sombrio parceiro.

Logo, mortes também começaram a acompanhar o trajeto do vapor e confrontar Joshua tornou-se a única opção de Abner, que acima de tudo prezava a sinceridade e a fidelidade, valores que seriam testados quando ele enfrentasse a inacreditável verdade, Joshua era um vampiro.

Contudo, não vá esperando mais do mesmo com relação aos vampiros, pois Tio George criou uma versão bem original do clássico, com regras próprias e muitas, inclusive, diferentes do que estamos acostumados. O autor também caprichou nas descrições, criando uma atmosfera enfumaçada e sombria ao passo que história caminhava mais e mais na escuridão da noite e do rio, além da construção dos personagens, na qual trabalha, algo que ele faz maravilhosamente bem, a dualidade presente nas pessoas e nesse caso, nos vampiros também.

*Resenha publicada no site Indique Um Livro.